Exclusivo para celular, o WhatsApp Pay (WAP) entrou em ação na primeira semana de maio e deve, nos próximos meses, se tornar uma opção de pagamento que tende a impulsionar as vendas digitais no varejo e atender às demandas de consumidores que, cada vez mais, se sentem à vontade com as compras online.

De acordo com Henrique Carbonell, CEO e Cofundador da F360°, empresa que oferece soluções de gestão para back office, com as redes sociais cada vez mais inseridas no cotidiano dos clientes, a adaptação a essa ferramenta pelos supermercados é essencial, já que muitos buscam formas práticas e rápidas para efetuar suas compras. “As lojas que não aderirem ao WAP tendem a sair atrás nessa corrida. A ferramenta também deve baratear as transações, que não envolvem as taxas do cartão de crédito, e será positiva para os varejistas, que contarão com um maior número de pagamentos à vista, aumentando o fluxo de caixa”, avalia.

O WhatsApp Pagamentos começou a funcionar no Brasil em 2020, mas em junho do mesmo ano o serviço foi suspenso pelo Banco Central, para que passasse por uma avaliação. Após receber a aprovação para funcionar no país, o Facebook Pay, produto do Facebook que processa os pagamentos via WhatsApp, o recurso voltou a ser liberado para uma pequena base de usuários.

Nessa primeira fase, só é possível fazer transferência entre pessoas físicas com cartões de débito das bandeiras Visa e Mastercard, com o limite de valor de até R$ 1.000 por operação e de R$ 5.000 mensais, entre enviados e recebidos. Em uma próxima etapa, o WAP deverá incluir CNPJs e, dessa forma, o Facebook também terá acesso aos dados do comportamento de consumo dos usuários por categoria, empresa e localização. Carbonell comenta que muitos comerciantes fazem suas transações de maneira informal. “Com a digitalização, o fluxo de transações que hoje não são computadas pode aumentar de forma exponencial”, diz.

Para Rafael Souza, CEO da Ubots e especialista em programação, é uma oportunidade para o segmento de supermercados melhorar a experiência dos shoppers. “Hoje o sucesso de uma empresa depende de vários fatores e um bastante relevante é manter um excelente relacionamento digital com os consumidores. Nesse contexto, acredito que os supermercados podem se beneficiar do WhatsApp Pay, usando a solução para ir além do próprio pagamento, buscando digitalizar algumas etapas da jornada do cliente, como o pré e o pós-venda. É fundamental entregar conveniência e, ao mesmo tempo, agir de forma resolutiva”, afirma.

Além de um chatbot eficaz para a resolução de demandas simples, Souza recomenda fazer um planejamento prévio do uso do WhatsApp para que as marcas se comuniquem da melhor forma com os clientes através da ferramenta. “Não se pode deixar de definir objetivos, metas e métricas a serem analisadas”, observa. A segurança digital é outro elemento que deve ser planejado com cuidado antes de oferecer a solução.

Atualmente, o WhatsApp conta com cerca de 2 bilhões de usuários em 160 países. No início da pandemia, o aplicativo cresceu 40%, segundo dados da Kantar. O WAP ainda não está integrado com o Pix, mas nada impede que a solução seja incorporada em breve, assim como funcionar como uma carteira digital orientada para a população não bancarizada.

Fonte: SuperVarejo