Grupo criou a Altre, que vai desenvolver empreendimentos comerciais e residenciais em terrenos próprios, e não descarta entrar no negócio de saneamento

João Schmidt, presidente: “A Altre é um dos passos do nosso projeto de transformação do portfólio de negócios” — Foto: Divulgação

Em sua estratégia de crescimento e diversificação dos negócios e áreas geográficas, o grupo Votorantim começa a fazer novos movimentos. Durante um certo período, colocou a casa em ordem e fez um grande ajuste no portfólio de ativos. Saiu de aço no Brasil e se desfez de celulose com a venda da Fibria, além de outros ativos de menor porte e não estratégicos. O objetivo é controlar negócios, além dos atuais, que garantam renda, como o imobiliário, e de baixa volatilidade, caso de energia, e peso maior da receita em moedas fortes: dólar e euro.

Depois de manifestar interesse em entrar no setor imobiliário, e após análises, a companhia criou a Altre, empresa que vai gerir uma plataforma para desenvolver empreendimentos comerciais e de escritórios, loteamentos horizontais e projetos de transformação urbana. A empresa caçula da Votorantim já conta com um time de 17 profissionais.

João Schmidt, presidente do grupo Votorantim que assumiu o cargo há um ano, e no grupo desde 2014, afirma que a Altre já surge com competências diversas e terá uma gestão voltada tanto para crescimento orgânico quanto inorgânico [aquisições e fusões]. Até poderá abrir o capital no futuro e será uma empresa aberta a tocar projetos em parceria.

Segundo o diretor financeiro e de RI da Votorantim S.A., Sérgio Malacrida, a Altre já tem um projeto de desenvolvimento de um loteamento em Votorantim (SP). A cidade foi o berço da companhia no início do século 20. Será em parceria, com a marca Altre.

Em São Paulo, na Vila Leopoldina, zona Oeste da capital, há um projeto sendo estudado – no conceito de transformação urbana – para ser desenvolvido em parceria com órgãos públicos. A empresa é dona de uma grande área naquela região. No local, ao lado, a Altre herdou quatro torres de edifícios comerciais – o Atlas Office Park.

No grande terreno, às margens do rio Pinheiros, por décadas funcionou a Atlas, fábrica de equipamentos pesados do grupo Votorantim que abastecia as outras fábricas da companhia. Ali também teve uma atividade de fabricação de concreto.

Segundo Malacrida, outros loteamentos estão previstos em Sorocaba (SP) e Paulista (PE), onde a companhia é dona de grandes terrenos que abrigaram suas instalações ou foram vilas de funcionários em décadas passadas.

“É um dos passos do nosso projeto de transformação do portfólio de negócios”, destaca Schmidt. Ele disse ao Valor que o grupo vai analisar outras oportunidades de negócios. Perguntado sobre disputar o leilão da Cedae (companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro), respondeu que saneamento está no radar da Votorantim, mas não confirmou presença.

O executivo lembrou que em 2020, no meio pandemia, duas empresas do grupo fizeram movimentos de crescimento. Na América do Norte, a Votorantim Cimentos associou-se ao fundo de pensão canadense CPDQ, incorporando uma moderna fábrica e ativos de distribuição nos EUA e Canadá. No Brasil, com outro fundo canadense, o CPPIB, decidiram investir R$ 2 bilhões em novos parques eólicos no Piauí, onde juntos já tinham operações. Também com o CPPIB, em 2019, já haviam vencido leilão da Cesp, geradora de energia paulista.

A Votorantim, disse Schmidt, está com uma estrutura de capital robusta, com alavancagem financeira bem confortável e as controladas também com suas operações ajustadas. Zerou o endividamento no âmbito da holding. “Encerramos o ano com caixa consolidado de R$ 15,4 bilhões e uma alavancagem de 1,63 vez a dívida líquida sobre o Ebitda e mantivemos o grau de investimento”, afirmou. A dívida líquida do grupo encerrou o ano em R$ 11,26 bilhões.

O desempenho financeiro consolidado do grupo teve forte recuperação no segundo semestre de 2020, levando a lucro líquido de R$ 947 milhões no quarto trimestre, aumento de 23% ante o mesmo período de 2019. No ano, devido impacto do câmbio sobre a dívida em dólar e baixa contábil da Nexa, registrou prejuízo líquido de R$ 3,1 bilhões, ante um ganho de R$ 4,9 bilhões de 2019.

A receita líquida teve crescimento de 19% ante o desempenho de 2019, somando R$ 36,7 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) fechou em R$ 6,9 bilhões, com alta de 35% na comparação com o ano anterior. A empresa se beneficiou da alta das commodities e da depreciação do real frente ao dólar na consolidação das operações no exterior.

Fonte: Jornalista Ivo Ribeiro — De São Paulo.

Categorias: Notícias do Setor