O volume de vendas no varejo restrito subiu 1,2% em julho, frente a junho

Por Marsílea Gombata

As vendas no varejo devem crescer com menos força no terceiro trimestre e ter uma aceleração da recuperação no último trimestre do ano, afirma Isabela Tavares, economista da consultoria Tendências.

O volume de vendas no varejo restrito subiu 1,2% em julho, frente a junho, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

No varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e motos, partes e peças, e material de construção, o volume de vendas subiu 1,1% na passagem entre junho e julho, descontados os efeitos sazonais.

“O varejo surpreendeu. Esse dado positivo foi beneficiado pela própria continuidade de reabertura das atividades, com lugares como lojas e shoppings podendo ficar mais horas abertos, e a mobilidade aumentando por conta do ritmo vacinação”, diz Isabela. “Isso leva a maior confiança e menor incerteza com a crise sanitária e estimula maior mobilidade, como refletem os dados do varejo.”

A economista ressalta que artigos pessoais, como itens de lojas presenciais de departamento, pet shops, artigos esportivos, puxaram as vendas. Além disso, diz, as vendas de veículos, motos partes e peças surpreenderam com leve alta de 0,2%, apesar do problema de oferta de novos veículos.

Isabela afirma que o terceiro trimestre deve ser de alta marginal das vendas no varejo, por conta da inflação. “Nos próximos meses veremos pressões inflacionarias que limitam o orçamento familiar e corroem rendas das famílias para consumo não essencial, e também o próprio mercado de trabalho com condições deterioradas, que mostra a recuperação população ocupada, mas queda de renda.”

No último trimestre, as vendas no varejo devem ganhar mais força, diz. “Tirando a questão sazonal, as vendas devem ganhar maior peso no fim do ano tanto pela melhora no cenário de crise sanitária, com expectativa de mais de 70% da população vacinada até lá, mas também pelo cenário positivo de condicionantes, como aumento do emprego formal, concessão de crédito e provável redução do estoque de poupança das famílias, com o fim das restrições. Isso tudo ajudará o consumo de forma geral.”

Conteúdo originalmente publicado pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor Econômico