Construtora com foco em baixa renda, que elevou lucro líquido em mais de 100% no primeiro trimestre, relata pressão de custo de insumos

A construtora Tenda vai testar qual o limite possível de aumento de preços de imóveis sem que haja perda de velocidade de vendas e volume comercializado, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Renan Sanches, em teleconferência com analistas e investidores nesta quinta-feira sobre os resultados do primeiro trimestre.

Mais cedo, o executivo informou que houve um “aumento tímido” de preços de imóveis no primeiro trimestre, o que compensou, parcialmente, a alta de custos de materiais de construção, como o aço. Nos próximos meses, isso tende a continuar a ocorrer.

A Tenda vai apostar, ao longo dos anos, na substituição do aço por outros materiais, com o objetivo de redução de custos. Segundo o diretor, a companhia dará início à substituição de aço por fibra de vidro em prédios baixos.

No médio e longo prazos, a construção industrializada também permitirá a redução de custos.

No primeiro trimestre, a Tenda revisou seu orçamento de obras, em função da alta de custos de materiais. Com isso, a margem bruta caiu de 30,7%, para 29,7%, enquanto a margem bruta ajustada passou de 31,8% para 31,1%.

A Tenda ainda tem expectativa de pressão de custos com mão de obra a partir deste mês, quando ocorre o dissídio dos salários dos trabalhadores da construção civil. Segundo o presidente da companhia, Rodrigo Osmo, 66% da mão de obra da Tenda é direta, o que permite atenuar parte dos custos em relação a um cenário em que a maior parte fosse contratada por meio de empreiteiros.

Mercados

A Tenda tem resgatando sua participação de mercado em São Paulo, segundo o diretor financeiro e de RI. Ele ressaltou que o maior desafio estratégico do modelo tradicional de atuação da Tenda, chamado de “on-site” pela companhia, para continuar a ter expansão de 10% a 15% ao ano era crescer em São Paulo.

No primeiro trimestre, as vendas cresceram 41% na Região Metropolitana de São Paulo, na comparação anual. Os preços dos imóveis foram elevados em 4%.

Fonte: Por Chiara Quintão, Valor Econômico — São Paulo.