A Shopper tem mais de 250 mil cadastros em seu aplicativo, focado em compras mensais recorrentes de produtos não-perecíveis, de limpeza ou de higiene

Já existem alguns aplicativos no país que fazem delivery de compras de supermercado – mas a Shopper defende como diferencial o foco na recorrência. Com compras padronizadas para entrega mensal, os consumidores recebem mercadorias antes que percebam que algum produto acabou. Ao mesmo tempo, a startup de logística e varejo têm previsibilidade suficiente para negociar preços melhores com fornecedores.

O modelo de negócios da Shopper atraiu investidores como José Galló, ex-CEO da Renner, e a empresa exportadora de carnes Minerva. Eles fizeram parte de uma rodada de R$ 120 milhões anunciada nesta terça-feira (18) pela Shopper.

InfoMoney conversou com Bruna Vaz e Fábio Rodas, cofundadores para Shopper, sobre o modelo de negócios e os próximos passos da startup após sua rodada série B.

Supermercado online e recorrente

A Shopper foi criada pela administradora Bruna Vaz e pelo economista Fábio Rodas em 2014. Os empreendedores se conheceram durante o ensino superior e já tinham cofundado um negócio de impacto social: a Renovatio, que vende óculos de grau a baixo custo. Eles deixaram o comando do negócio ao fundar a Shopper.

A ideia era levar a transformação digital aos supermercados. O mercado a ser explorado é grande: apenas no Brasil, o faturamento dos supermercados brasileiros foi de R$ 378 bilhões em 2019, segundo o Ranking Abras/SuperHiper. Os números de 2020 não foram divulgados, mas devem apontar maior ida aos supermercados diante do fechamento de bares e restaurantes durante boa parte do ano.

Um benchmark de Bruna e Rodas foi o Subscribe & Save, criado pela gigante do comércio eletrônico Amazon. Esse serviço permite automatizar entregas dos itens favoritos e obter descontos de até 15%.

A Shopper trouxe um modelo similar de delivery programado ao Brasil – mas com foco em compras de supermercado. Data e produtos da primeira compra são registrados pela startup e automaticamente criam um pedido com recorrência mensal. Perto de cada data de entrega, a Shopper manda um alerta ao usuário. Ele pode mudar produtos ou mesmo suspender os pedidos.

“Estamos acostumados a fazer compras reativas, indo ao supermercado apenas quando percebemos que um produto acabou. Os alertas servem para lembrar o usuário de abastecer itens antes que eles acabem”, diz Bruna.

Do lado da Shopper, a programação permite ter previsibilidade de estoque e logística. A startup negocia itens direto com fabricantes, tem um centro de distribuição adequado à sua necessidade de estoque e faz seleção, embalagem e logística próprias.

“Nos aplicativos comuns de delivery, as lojas físicas têm de ficar perto dos clientes. Onde tem muita gente, o metro quadrado é caro. Fora gastos com lojas bonitas, iluminação, segurança e perda do estoque exposto. É um modelo ineficiente, embutido no preço das mercadorias. Nós temos centros de distribuição em regiões com custo de metro quadrado muito menor, e só compramos e estocamos aquilo que sabemos que será vendido. A logística também é toda planejada. Oferecemos preços menores com nosso modelo verticalizado e que não depende da estrutura dos supermercados físicos”, diz Rodas.

Esse formato permite manter a margem da startup e oferecer uma compra 10% mais barato em comparação a outros supermercados online, segundo a própria Shopper.

O foco da startup está em famílias que fazem uma compra mensal. Os produtos mais pedidos são alimentos não perecíveis, como arroz e feijão, e produtos de higiene e de limpeza. Existem mais de 6.000 itens diferentes (SKUs) no aplicativo.

Novo investimento e planos de expansão

A Shopper foi criada em 2015, com investimento de R$ 20 mil de Bruna e Rodas. “Fizemos um mínimo produto viável e panfletávamos na rua para adquirir os clientes. Nós mesmos empacotávamos e entregávamos. Funcionou assim até o primeiro aporte”, diz Bruna.

A startup captou R$ 120 mil em 2016, com amigos e familiares. O valor permitiu contratar funcionários para fazerem panfletagem, compras das mercadorias, montagem dos pedidos e entregas. Um investimento anjo veio no final do mesmo ano, de nomes como Mário Schettini (ex-vice presidente do Itaú).

O próximo grande investimento da Shopper, um série A de R$ 10 milhões, foi captado em 2019. Participaram dessa injeção de capital os fundos Canary (que tem startups como Loft e Sami no portfólio) e Quartz (de José Galló, que deixou de ser CEO da Renner em abril do mesmo ano). Juscelino Martins (chairman do Grupo Martins) e Ariel Lambrecht (cofundador da 99) e os fundos FEGIK e Oikos também aportaram na startup.

Agora, a Shopper captou um série B de R$ 120 milhões. A rodada foi liderada pelo Quartz e também contou com a Minerva. Outros participantes foram os fundos americanos FJ Labs e Floating Point. Schettini, Lambrecht, FEGIK e Oikos reforçaram a aposta na startup.

“O José Galló é referência em encantamento no cliente e nos traz novas formas de conquistar os consumidores. Ele investiu e continuou a investir porque batemos nessa mesma tecla. Já a Minerva traz um know-how no nosso setor de atuação e em negociação com fornecedores. É uma visão diferente e que contribui para nossa criação valor em longo prazo. Por fim, os fundos americanos trazem uma boa chancela ao nosso negócio”, diz Rodas.

A Shopper tem 250 mil usuários cadastrados atualmente. Os R$ 120 milhões serão usados para adquirir soluções complementares à startup; para expandir a área de atendimento; e para investir em contratações e tecnologia.

A startup entrega em 22 cidades do estado de São Paulo e o plano é alcançar 60 municípios até o final deste ano. O negócio tem mais de 500 funcionários e deve abrir outras 500 vagas ao longo de 2021. “Por fim, toda nossa tecnologia é feita dentro de casa. Vamos continuar a investir no aplicativo e nos sistemas de compra de fabricantes, recebimento de mercadoria e roteirização de estoque e entrega para melhorar a experiência do cliente”, diz Rodas.

A solução de compras programas de supermercados manteve seu ritmo de quadruplicar o faturamento anualmente em 2020. “As pessoas tinham o hábito de comprar no supermercado físico porque tinham medo de preço e qualidade das compras online. Mas a pandemia trouxe também o medo de entrar em contato com pessoas nos estabelecimentos. Muitas pessoas se surpreenderam com nossa solução e continuam conosco”, diz Bruna.

Para 2021, a Shopper espera novamente quadruplicar o faturamento. “Acreditamos na mudança de hábito de algumas pessoas. Como focamos em itens pesados, chatos de comprar fisicamente, a Shopper pode entrar como complemento à loja física mesmo depois que a pandemia passar”, conclui a cofundadora.

Fonte: InfoMoney

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