Projeto da formanda Maria Eduarda Volpe, orientada pela professora Tânia Bulhões, do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Moura Lacerda, elabora novas soluções de moradia para população da localidade

Aluna Maria Eduarda Volpe e sua orientadora, a professora Tânia Bulhões junto com a maquete do projeto “Habite-se: o Remanejamento da Comunidade Nazaré Paulista”

 O projeto “Habite-se: o Remanejamento da Comunidade Nazaré Paulista” foi um dos 30 trabalhos selecionados pelo CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) do Estado de São Paulo para fazer parte da “Mostra da Comissão de Ensino e Formação/CAU de Boas Práticas de Trabalhos Finais de Graduação”. Ele foi desenvolvido pela formanda Maria Eduarda Volpe, do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda, de Ribeirão Preto (SP).

De acordo com a professora Tânia Bulhões, orientadora de Maria Eduarda Volpe, o mérito do projeto foi unir duas características inerentes a um bom arquiteto e urbanista: o olhar atento ao papel social da profissão e a utilização de soluções tecnicamente bem estruturadas para melhorar a qualidade de vida das pessoas, usuárias das edificações e do ambiente urbano projetados.

Para ela, a estudante se mostrou perspicaz ao propor um remanejamento da Comunidade Nazaré Paulista, tendo em vista sua localização em área de risco, próxima ao Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, para um terreno perto do local onde esta população reside atualmente. “A aluna teve a sensibilidade de compreender que a ação não destitui a comunidade de suas relações físicas, cotidianas e psicológicas com o lugar onde vive”, lembrou a professora.

Comunidade Nazaré Paulista atualmente

Tânia Bulhões ressaltou características profissionais de Maria Eduarda Volpe que foram importantes para o desenvolvimento do projeto – dedicação, competência e busca constante pela ampliação de repertório e conhecimento, sensibilidade e compreensão do significado da função social da profissão.

“A aluna soube aproveitar as oportunidades acadêmicas que o Moura Lacerda lhe apresentou. O levantamento de dados inicial dela foi para o desenvolvimento de sua pesquisa de Iniciação Científica na graduação, o que demonstra que, para além de sua capacitação técnica, ela apresenta também inclinação à pesquisa científica e, portanto, ao universo acadêmico”, frisou.

Diálogo com a comunidade

Maria Eduarda Volpe explicou que construiu o projeto com base em edificações de pequeno porte, com vazios que se constituem como praças, locais de encontro, convívio e sociabilidade, além de áreas para horta comunitária e criação de animais, o que dialoga com demandas específicas da comunidade.

“Propus três blocos de edificações cujos apartamentos possuem metragens quadradas e arranjos espaciais distintos entre si, tentando, assim, abarcar os mais diferentes perfis familiares em um conjunto habitacional. Procurei demonstrar um cuidado especial com a realidade da comunidade em questão, buscando atender aquilo que aquela população realmente necessita”, contou a aluna.

Formato em 3D do projeto “Habite-se: o Remanejamento da Comunidade Nazaré Paulista”

Abordagens plurais

 Tânia Bulhões ressaltou a importância do trabalho tanto para Ribeirão Preto como para o âmbito  acadêmico, entre outros aspectos, porque trata da questão do direito à moradia por um viés mais complexo que o atual. Hoje, as novas habitações seriam padronizadas e sem qualidade espacial para as pessoas, o que não resolveria a questão do déficit habitacional.

“Precisamos de abordagens mais plurais, que não levem em conta apenas o baixo custo. É preciso fazer regularização fundiária, urbanização de assentamentos informais, recuperação de áreas e edificações irregulares, precárias ou deterioradas, reconversão de usos de imóveis vazios ou subutilizados, que não cumprem sua função social, implantar lotes urbanizados e unidades para locação social”, disse a professora.

De acordo com a orientadora, um trabalho como o de Maria Eduarda Volpe, quando selecionado para compor uma mostra importante como a do CAU, ganha visibilidade e revela a precariedade com que o direito à moradia vem sendo encarado por parte do poder público e por uma parcela da população, sobretudo quando ocorre a relativização de um direito social salvaguardado pela Constituição Federal, subjugando-o à questão econômica da propriedade e do lucro.

Arquitetura e Urbanismo: formação ímpar

 O Curso de Arquitetura e Urbanismo do Moura Lacerda busca proporcionar, de acordo com Tânia Bulhões, uma formação singular para seus estudantes e egressos. Isso inclui uma visão crítica sobre temas de relevância social, como o direito à moradia, em um país como o Brasil. “Nossa preocupação está na formação de profissionais técnicos capacitados e habilitados a trabalhar nas mais variadas frentes, sempre aguçando o pensamento crítico deles e focando em uma abordagem mais humana e ética”, afirmou a professora.

 Ela leciona a disciplina de Projeto de Arquitetura II, que trata de habitações unifamiliares, do uso de técnicas construtivas e de materiais contemporâneos. Também ministra a disciplina Projeto de Arquitetura III, que trata do universo da habitação de interesse social e moradia popular. Sua terceira disciplina é Desenho Arquitetônico, sobre representação gráfica adequada para interlocução entre arquitetos e urbanistas e seus respectivos clientes e/ou órgãos.

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