Mesmo com o aquecimento do mercado imobiliário, construtoras e incorporadoras estão acumulando baixas na bolsa de valores

Mercado imobiliário pós-pandemia: o que podemos esperar do setor nos próximos meses (Foto: Getty Images)

Como já mostramos aqui em Casa Vogue, os investimentos imobiliários seguem sendo uma boa opção em 2021. Em meio a um cenário de juros baixos e incertezas econômicas, o mercado de imóveis tem atraído cada vez mais investidores. Mas além de aplicar recursos financeiros em propriedades físicas, que tal alocar o seu dinheiro nas empresas responsáveis pela construção e gerenciamento destes imóveis?

No ano passado, diversas construtoras e incorporadoras brasileiras realizaram o processo de Oferta Pública Inicial de Ações (IPO), que consiste na estreia destas empresas na bolsa de valores. Algumas companhias, como You.Inc, Mitre e Moura Dubeux, se uniram a grandes nomes do setor que já eram negociados na bolsa brasileira, como a Direcional, a JHSF e a Tenda, por exemplo. Dessa forma, estas empresas permitiram que pessoas físicas pudessem alocar parte de seus recursos nelas, mesmo com valores baixos.

A chegada destas companhias na bolsa de valores ocorreu em meio a um momento de otimismo para o setor, impulsionado pela redução da taxa básica de juros brasileira, denominada taxa Selic. De acordo com o analista de Construção Civil da XP Inc., Renan Manda, os juros baixos permitem também que pessoas que antes não tinham renda suficiente para comprar um imóvel, encontrem agora condições mais favoráveis para esta aquisição, o que aumenta a base de clientes destas empresas.

Apesar do cenário otimista do segmento, boa parte das construtoras e incorporadoras negociadas na bolsa de valores brasileira estão acumulando variações negativas ao longo dos últimos meses. As ações ordinárias da Cyrela, por exemplo, registraram queda acumulada de 18,6% desde o primeiro pregão deste ano, no dia 4 de janeiro, até o dia 20 de maio. Já a MRV e a Tenda somam variações negativas de 5,07% e 15,58% neste mesmo período, respectivamente.

Por que estas empresas estão indo mal na bolsa de valores?

De acordo com o analista da XP, a performance negativa destas empresas na bolsa de valores está relacionada principalmente às expectativas dos investidores e dos gestores dos fundos de investimento, que possuem grandes posições nas empresas. “Quando a gente olha para as perspectivas do setor, elas são positivas e as empresas estão saudáveis. Só que os gestores estão olhando para o dia a dia. No curtíssimo prazo, eles preferem investir em segmentos que são mais protegidos dos impactos da pandemia”, explica Renan.

Na prática, as ações se valorizam conforme a oferta e demanda dos investidores. Assim, quanto mais pessoas se interessam por um ativo, maior é o preço dele. No caso das companhias relacionadas ao setor imobiliário, ainda há uma série de incertezas que afastam os investidores, mesmo em meio ao bom momento do segmento.

“Com o isolamento, alguns segmentos são mais impactados. Os shoppings não podem abrir e as incorporadoras não abrem seus stands, mas outros setores não sofreram tanto. Os investidores foram migrando o dinheiro para empresas de outros segmentos. É um risco que as pessoas não querem tomar”, diz ele.

Além dos impactos diretos do isolamento, o forte aumento dos preços dos insumos de construção também afetou a viabilidade de projetos imobiliários e aumentou o receio dos investidores. Conforme o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), o valor destes materiais subiu 25,05% entre os meses de fevereiro de 2020 e fevereiro deste ano. “As pessoas pensaram: ‘faz sentido eu colocar agora meu dinheiro nestes papéis [de incorporadoras ou construtoras] ou em empresas de commodities que estão vendendo o aço por um preço muito maior?'”, analisa Renan.

Isso significa que estas empresas são maus investimentos?

Definitivamente, não! Segundo o analista, o receio dos investidores e a variação negativa das ações de incorporadoras e construtoras é uma questão que deve se limitar ao curto prazo. Com a recuperação econômica pós-pandemia e a redução das restrições após a queda no número de infectados, é possível esperar que o setor reaja de forma ainda mais positiva e que, consequentemente, os investidores também se sintam mais confortáveis.

Dessa forma, de acordo com o analista, a assimetria de preço em relação às ações destas empresas deve ficar cada vez mais evidente. “Se você gosta do setor, entende a dinâmica dele e tem uma visão de longo prazo, este investimento faz muito sentido. São papéis de empresas boas, líquidas, com pouca alavancagem e com projetos que estão indo bem. O ponto aqui é: o tempo disso”, finaliza Renan.

Fonte: Giovanna Oliveira, Casa Vogue.