Diretora do Secovi destaca que aumento do home office e necessidade do distanciamento social ampliaram busca por residências maiores, com destaque para o mercado de casas de alto padrão

Região central de Campinas — Foto: Rafael Smaira/G1

A pandemia da Covid-19 alterou não só o comportamento das pessoas, mas o modo que vivemos. O distanciamento social e a expansão do trabalho remoto (home office) fizeram com que as pessoas ficassem mais tempo em casa. Essa nova realidade provocou uma mudança na forma como grande parcela da população vivencia a relação com a moradia, e o setor imobiliário em Campinas (SP) vê nessa mudança de perfil um aquecimento do mercado, em especial o de casas de alto padrão.

“As pessoas deixaram de ter um imóvel, e passaram a viver um imóvel. Se antes só iam em casa para dormir, porque passavam a maior parte do tempo no trabalho ou em atividades fora, agora viram uma mudança de vida. E isso deve continuar”, avalia Kelma Camargo, diretora regional e de administração imobiliária e condomínios do Secovi-SP em Campinas.

Segundo a profissional, o mercado como um todo acabou impulsionado na pandemia. Se nos primeiros meses de 2020 houve temor quando a paralisação de atividades e lançamentos, o cenário mostrou-se promissor diante dessa mudança no perfil e na relação das pessoas com a moradia. Fato que, segundo ela, foi identificado pelo setor.

“Quando os lançamentos foram interrompidos, o setor deu um passo atrás, fez pesquisas, viu o que era necessário. E com boas ofertas de crédito e juros, todos os setores estão aquecidos. Quem morava em um dormitório foi para um apartamento de dois, quem estava em um de dois, procurou um de três, e isso foi subindo. Aumentou muito a busca por casas, principalmente de alto padrão”, pontua Kelma.

A análise de Kelma é corroborada com números de uma urbanizadora com quatro residenciais em Campinas. Segundo Klaus Monteiro, CEO da Alphaville Urbanismo, a busca no site da empresa por imóveis na metrópole cresceu 133% no primeiro trimestre de 2021 na comparação com o mesmo período do ano passado.

Vista aérea de residencial com casas de alto padrão em Campinas (SP) — Foto: Reprodução/Google Maps

Parte desse movimento, inclusive, envolve o interesse de moradores da Grande São Paulo. A avaliação é que com a expansão do home office, muitas famílias viram a possibilidade de buscar lugares com melhor qualidade de vida.

A busca majoritária ainda é de moradores de Campinas (40,9%) e da Região Metropolitana de Campinas (RMC), mas o interesse de clientes que moram em São Paulo ou no entorno da capital, pulou de um para dois dígitos, chegando a 18,6% dos usuários.

“Esse aumento na demanda é um reflexo do cenário atual e da permanência do trabalho remoto, que fazem com que haja um maior interesse das pessoas em morarem em casas com segurança e qualidade de vida”, avalia Monteiro.

O executivo diz que a urbanizadora trata Campinas como um dos mercados mais importantes, justamente por atender essa demanda que une infraestrutura de uma capital e qualidade de vida do interior.

Novos empreendimentos

Kelma Camargo destaca que cresceu bastante o lançamento de casas para classe média alta em Campinas nos últimos meses, e a expectativa é que o mercado permaneça aquecido.

“São produtos que atendem aos interesses de famílias cujos pais que podem manter esse trabalho remoto procuram para que os filhos tenham qualidade de vida, que ofereça espaço para receber amigos ou tenha infraestrutura de lazer”, explica a diretora do Secovi.

De olho nesse mercado, Klaus Monteiro informa que a urbanizadora prevê três novos residenciais em Campinas, um deles no terceiro trimestre de 2021, e os demais até 2023. Entre as apostas, um modelo diferente de negócio, com casas prontas para classe média alta em vez de lotes.

“Era uma ideia que vínhamos trabalhando, passamos uns dois anos olhando para o mercado americano, focado mais em construções do que venda de lotes, e a pandemia trouxe aceleração dessa ideia”, explicou o executivo.

A expectativa é que o empreendimento, que projeta 54 lotes com casas com plantas de 225m² a 268m², gere cerca de 175 empregos diretos e 1.865 indiretos.

Fonte: Por G1 Campinas e Região.