Apesar da alta da Selic, o setor de imóveis segue em crescimento; veja o que os investidores devem levar em conta

Diversos fatores influenciam o mercado imobiliário: disponibilidade e custo de crédito — que se movem de acordo com a taxa de juros, a inflação, a atividade do setor de construção e a demanda. Esses indicadores influenciam e repercutem de forma cíclica no desempenho do setor como um todo.

“O setor imobiliário se comporta de forma circular, compreendendo as épocas de excesso de oferta, recessão, recuperação e expansão. Cada um desses períodos pode perdurar por mais de um ano, antes de progredir para a próxima fase. Um dos fatores que regula a mudança entre as fases é a oferta de empreendimentos no mercado. É comum que o mercado veja a demanda por imóveis variar por diferentes motivos, a exemplo de melhores condições de crédito ou até mesmo novas demandas dos consumidores”, comenta Pedro Ernesto, diretor de Gestão da TG Core Asset, gestora de fundos de investimento, investida da Trinus Co.

Diante do contexto causado pela Covid-19, o perfil de imóveis buscado pelos consumidores tem mudado, resultando no aumento da procura por loteamentos, tanto por parte de quem procura maior qualidade de vida quanto quem pretende investir no setor imobiliário.

De acordo com a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI), a perspectiva do setor é de fechar os números de 2021 com um crescimento de 12% em relação ao ano passado. Pela análise da entidade, o Valor Geral de Vendas deve ficar em R$ 99 bilhões, R$ 11 bilhões acima do fechamento de 2020.

“No primeiro trimestre de 2021, a taxa Selic atingiu sua mínima histórica de 2%, e desde então, ela vem subindo consideravelmente, com o objetivo de combater a inflação, atingindo o patamar de 7,75% ao ano. Isso quer dizer que o Brasil ainda está em fase de crescimento de oferta ou de ‘recuperação’, porque apesar da Selic estar subindo, ela ainda está em patamares historicamente baixos”, avalia Pedro Ernesto. Em 2003, por exemplo, a taxa básica de juros alcançou 26,5% ao ano.

Apesar das taxas de juros e inflação tornarem os investidores mais cautelosos por ora, é provável que esses números se estabilizem nos próximos dois anos. “Atualmente, se considerarmos o comportamento cíclico já mencionado, estamos em uma fase do ciclo imobiliário em que os investidores devem ter uma visão de longo prazo para aproveitar a oportunidade de valorização que os imóveis e cotas de fundos de investimento imobiliários, se adquiridos neste cenário, podem trazer para o futuro”, finaliza o diretor da TG Core.

Fonte: SpaceMoney