Financiamentos para a compra e a construção de moradias com recursos das cadernetas de poupança deverão bater recorde neste ano

A boa evolução do mercado imobiliário, que mostrou grande resistência à crise provocada pela pandemia de covid-19, deve-se manter pelo menos até o fim do ano. Os financiamentos para a compra e a construção de moradias com recursos das cadernetas de poupança deverão bater o recorde neste ano, alcançando R$ 195 bilhões, de acordo com projeções da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Se o número, anunciado pela presidente da entidade, Cristiane Portella, se confirmar, o crescimento será de 57% em relação a 2020, quando foram liberados empréstimos de R$ 124 bilhões. O resultado do ano passado é, até agora, o maior já registrado pela Abecip, o que o torna ainda mais expressivo, pois o recorde foi alcançado quando a maioria dos setores da economia brasileira encolhia por causa da pandemia. Para ter uma noção mais precisa do feito, lembre-se que os financiamentos alcançaram R$ 79 bilhões em 2019, R$ 57 bilhões em 2018 e R$ 43 bilhões em 2017.

Expectativas para o mercado imobiliário são positivas Foto: Gabriela Biló/ Estadão

Os números mostram firme recuperação dos financiamentos imobiliários com recursos da poupança que nem a pior crise econômica em várias gerações conseguiu interromper – e a retomada se mantém.

Dados dos primeiros seis meses deste ano indicam que as projeções da Abecip podem até estar subestimadas. Os financiamentos para compra e construção de moradias com recursos da poupança alcançaram R$ 97 bilhões, o que representa alta de 124% em relação ao primeiro semestre de 2020. Considerando-se também os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – segunda maior fonte de financiamentos imobiliários, atrás da poupança –, o total alcança R$ 121,7 bilhões no primeiro semestre, 73% mais do que em igual período de 2020.

De acordo com a Abecip, os financiamentos para a compra de imóveis por pessoas físicas somaram R$ 79,7 bilhões, com alta de 133% no semestre. Desse valor, R$ 55,0 bilhões foram destinados a imóveis novos e R$ 24,7 bilhões a imóveis usados. O crédito imobiliário para construtoras chegou a R$ 17,4 bilhões. O crédito pessoal em que o imóvel é dado como garantia somou R$ 1,8 bilhão.

Há espaço para a carteira de crédito imobiliário crescer. No Brasil, lembrou a presidente da Abecip, ela corresponde a 9,8% do PIB; no Chile, a mais de 20%