Embora a vacinação caminhe bem no Brasil, ela acha que os números da Europa devem servir de alerta por aqui

nova onda de covid
Má distribuição de vacinas pelo mundo, que afeta em cheio os países mais pobres. é uma das questões mais preocupantes. Imagem: Fusion Medical Animation/Unsplash/SAÚDE é Vital

O mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia do coronavírus, segundo avaliação de uma representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Congresso Brasileiro de Epidemiologia. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), trará discussões sobre esse e outros temas até o fim desta semana.

“Estamos vendo a ressurgência da Covid-19 na Europa. Nas últimas horas, tivemos mais de 440 mil novos casos confirmados, sem contar que há subnotificação em vários continentes”, declarou Mariângela Simão, diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da OMS

A diretora ainda considera preocupante o fato de que cada região está lidando com a pandemia de um jeito. Além disso, em muitos lugares a vacinação e a queda nos casos de internação fazem a população relaxar, mas o vírus continua evoluindo e sendo transmitido. E os novos picos na Europa estão relacionados à abertura e à flexibilização das medidas de distanciamento.

“Além disso, há desinformação e mensagens contraditórias, que são responsáveis por matar pessoas”, pontuou a diretora-geral adjunta da OMS.

Desigualdade

Um problema grave, acrescentou a especialista, é a má distribuição das vacinas no mundo. “Foram aplicadas mais de 7,5 bilhões de doses. Em países de baixa renda, há menos de 5% das pessoas com pelo menos uma injeção. Entre os fatores que levaram a esses números estão os acordos bilaterais das farmacêuticas com países de alta renda, enquanto deveriam estar privilegiando vacinas para países mais pobres”, analisou.

Outro obstáculo é a concentração de novas tecnologias de imunizantes em poucos países, como as produzidas a partir do RNA mensageiro.

Mariângela considera que o futuro da pandemia depende de uma série de questões. A vacinação aliada
aos medicamentos pode ajudar a brecar a transmissão, mas ainda é preciso observar o comportamento das variantes de preocupação. Governos e a população também precisam trabalhar juntos para impedir novos surtos, reforça a diretora.

Américas e Brasil

Mariângela afirmou que as Américas vêm tendo um comportamento de transmissão comunitária continuada, com ondas repetidas. O Brasil tem a vantagem de ter uma vacinação bem encaminhada, mas os números da Europa devem servir de alerta por aqui.

“Fico preocupada quando vejo o Brasil discutindo o Carnaval. É uma condição extremamente propícia para o aumento da transmissão comunitária. Precisamos planejar as ações para 2022”, alertou Mariângela.

Com informações da Agência Brasil