Pequenos e médios varejistas viram no canal digital não só uma forma de sobreviver, mas de aumentar vendas, em um movimento que não tem volta, diz

O executivo destacou que o Brasil tem muito espaço para crescer no digital. Antes, segundo ele, a penetração do e-commerce era de 7% e hoje estaria na casa de 12% no Brasil. Nos Estados Unidos, disse, esse porcentual foi de 12% para 20% e na China a penetração saiu de 20% para perto de 30%.

O executivo destacou que o bom momento do on-line não tem sido um problema para a retomada das vendas físicas, que estão se recuperando depois do pior da crise. “É importante que a venda física aconteça. É importante na questão do emprego”, disse o executivo. Mas ele destacou que o crescimento no físico não tem influenciado o digital. “Quem prova o digital não volta atrás”, disse.

Apesar disso, o executivo falou que na sua base de clientes há grupos que tinham lojas físicas no passado e que não pretendem voltar. “Tem varejista que está totalmente on-line e não vai voltar para o off-line. A gente tinha varejista multicanal que fechou loja e não vai abrir de novo”, disse, destacando que alguns grupos estariam até melhor do que no período pré-pandemia.

O executivo destacou ainda que a empresa provou que seu crescimento é independente da pandemia.

No início de maio, a fornecedora de tecnologia para vendas on-line, pagamentos, logística e computação em nuvem ingressou no índice Ibovespa, na 47ª posição. A Locaweb é a segunda empresa de tecnologia brasileira a fazer parte do índice ao lado da Totvs, fornecedora de sistemas de gestão empresarial.

Cirne destacou que o grupo pretende focar seus negócios no Brasil e que, no momento, não há nenhuma conversa ou intenção de operar fora do país.

“Não é trivial vir brigar com a gente aqui no Brasil. Da mesma forma que não é trivial pegar minha plataforma e ir para outro país. A gente quer ainda ganhar muito dinheiro para o acionista no Brasil antes de ir para outro país”, disse o executivo.

O executivo apontou que a visão do grupo sobre o tema é cautelosa diante dos desafios de levar a plataforma para outros mercados.

Mais aquisições

Cirne apontou que a companhia tem ainda muito espaço para crescer por meio de aquisições. Desde o seu IPO, em fevereiro do ano passado, a Locaweb já anunciou a compra de 10 empresas, sendo a última a Bling.

“Muita gente pergunta se já fechamos o ecossistema. Não fechamos ainda. Tem processos faltantes. Não acabou e nada impede também que a gente enriqueça algum desses processos com consolidação”, disse.

Entre as áreas de oportunidade estão marketing e serviços financeiros ou áreas que “ajudem o cliente a vender mais e barato”.

O executivo apontou, entretanto, que o grupo é criterioso nas aquisições e busca sempre empresas que fazem sentido dentro do portfólio. “Não pode só empilhar receita”, disse.

Sobre a Bling, comprada por R$ 524 milhões, o executivo disse que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o negócio sem restrições e que a estimativa é fechar a negociação na primeira quinzena de junho.

Cirne foi questionado sobre espaços para investimentos e se estaria nos planos do grupo comprar galpões, por exemplo. “Não vamos deixar de ser empresa com baixo volume de capex”, afirmou.

Ele disse que há espaço para melhorar pontos de logística, mas sinalizou que investimentos grandes em estruturas físicas, como galpões, estariam fora desse foco. “Software, integração e baixo investimento em estrutura física”, disse, apontando algumas das áreas em que o grupo tem mais apetite.

A hospedagem de sites, que antes era um negócio central para a Locaweb e representava o primeiro passo de empresas na digitalização, tem perdido espaço diante de novas alternativas, explicou. “Hospedagem não é mais primeira perna da digitalização”, disse.

Agora, empresas podem dar seus primeiros passos na digitalização de outras três formas: presença digital (em redes sociais), aplicativo e contar direto com o comércio eletrônico. “Estamos posicionados em todas elas”, disse o executivo.

Fonte: Valor Econômico

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