Já incorporadoras de capital aberto têm voz destoante e esperam crescimento no ano, apesar de desemprego elevado, inflação em alta e atraso na vacinação contra covid-19

As vendas de imóveis residenciais novos deverão ficar estáveis, na cidade de São Paulo – maior mercado imobiliário do país. O volume comercializado tende a se manter, pelo terceiro ano consecutivo, por volta de 50 mil unidades, na avaliação do presidente do Secovi-SP, Basílio Jafet. “Em um mercado ideal, poderíamos produzir 80 mil unidades por ano em São Paulo”, afirma Jafet.

O desemprego elevado e a possibilidade de a economia crescer menos do que o esperado devido às incertezas relacionadas à vacinação contra a covid-19 são as principais razões apontadas por Jafet para não esperar crescimento das vendas de imóveis em 2021.

Volume vendido tende a se manter, pelo terceiro ano consecutivo, por volta de 50 mil unidades na cidade de São Paulo

Incorporadoras de capital aberto ouvidas pelo Valor, porém, se mostraram mais otimistas, em relação ao mercado imobiliário, neste ano, levando-se em conta fatores como os juros reduzidos, o ritmo de vendas que vem sendo registrado e os estoques baixos. As empresas reconhecem que há desafios, como a pressão de custos de materiais, mas esperam acomodação depois das fortes altas dos insumos registradas em 2020.

Em relação a lançamentos, o Secovi-SP espera aumento neste ano. Jafet estima que tenha havido 23% de queda no ano passado, para 50 mil unidades, na capital paulista, devido ao menor ritmo de aprovação de projetos nos primeiros meses da pandemia.

A EZTec deverá triplicar seus lançamentos, neste ano, para cumprir a meta para o biênio 2020-2021 de lançar Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 4 bilhões a R$ 4,5 bilhões. Os lançamentos de 2020 foram da ordem de R$ 1 bilhão. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Emilio Fugazza, as vendas têm ocorrido em todos os segmentos de renda, com maior velocidade no alto padrão. “Não estamos vendo nenhuma retração”, diz o executivo da EZTec.

Depois de elevar em 30%, para R$ 920 milhões, seus lançamentos em 2020, a Mitre, que atua no segmento de média e alta renda, em São Paulo, projeta lançamentos de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões neste ano. “O ano de 2021 tem tudo para ser bastante forte para o setor”, crê o diretor financeiro e de relações com investidores, Rodrigo Cagali.

Na avaliação de Cagali, após a demanda reprimida ser atendida, o que vai sustentar a expansão das vendas será o crescimento econômico. Mas ele espera esse fator, assim como o efeito do desemprego no desempenho do setor, só a partir de 2022. Para Leandro Melnick, presidente da Even, o patamar atual de desemprego tem menos impacto para as vendas de imóveis que o efeito positivo dos juros baixos.

“Os efeitos da pandemia estarão restritos a mais um semestre”, acrescenta Melnick. Sem informar números, conta que a Even terá aumento de lançamentos e vendas em 2021. “Tivemos recorde de vendas e ganho de preço em 2020.”

O presidente da Trisul, Jorge Cury, também está otimista. No ano passado, a empresa lançou R$ 1 bilhão da projeção de R$ 3 bilhões para o biênio 2020-2021. Isso significa dobrar lançamentos neste ano. “As vendas dobram também”, diz Cury, citando que a velocidade de comercialização deve ser mantida e que não há razão para queda de preços dos imóveis da empresa.

Com atuação exclusiva na baixa renda, a Tenda mantém a meta de continuar a ganhar fatia de mercado e crescer de 10% a 15% ao ano nos próximos cinco anos. “A demanda é muito maior do que a oferta”, diz o presidente, Rodrigo Osmo. Segundo ele, o cliente de baixa renda é menos impactado pela piora das expectativas do que pela realidade da economia. Para Osmo, com o fim do auxílio-emergencial, parte dos consumidores poderão ter mais dificuldade de acesso a crédito, levando incorporadoras a fazer ajustes, como descontos, para possibilitar vendas.

O presidente da Direcional, Ricardo Gontijo diz estar “bastante otimista” e que existe demanda tanto para imóveis de baixa renda quanto para os da Riva – subsidiária com atuação nos padrões médio e médio-alto. “O crédito imobiliário tem sido uma das prioridades dos bancos”, diz Gontijo. Ronaldo Cury, diretor financeiro e de relações com investidores da Cury, ressalta que o mercado continua forte e que a disputa por terrenos segue acirrada.

Em relação à pressão de custos de insumos, incorporadoras com foco na baixa renda são as mais impactadas, pois o programa habitacional define limites de preços dos imóveis. “O aço subiu 50%, e o cimento, 40%. O pior já passou”, diz o executivo da Cury. Nos padrões médio e alto, é mais simples repassar custos para os preços, mas Fugazza, da EZTec, diz ser “natural imaginar acomodação em 2021”. “Espero que haja um arrefecimento”, afirma o executivo. Neste ano, não haverá o efeito do auxílio-emergencial sobre a demanda de materiais de construção no varejo.

Gontijo, da Direcional, diz que inflação é sua maior preocupação no momento. “Se a inflação aumenta, é preciso subir juros”. A disciplina fiscal também é fundamental, segundo ele. “A clareza de que o país vai ter um teto de gastos talvez seja mais importante do que o ritmo de recuperação do PIB [Produto Interno Bruto]”, afirma o presidente da Direcional.

Diante da perspectiva de vacinação e da retomada do crescimento da economia em 2021, o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio França, projeta que haverá um novo recorde do número de alvarás concedidos para a construção de novos empreendimentos verticais na capital paulista.

Fonte: Valor Econômico

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