Evergrande voltou a alertar nesta terça-feira que está sob “tremenda pressão” e que não há garantias de que poderá cumprir com suas obrigações financeiras nos próximos meses

Segunda maior incorporadora do mercado imobiliário da China, a Evergrande voltou a alertar nesta terça-feira (14) que está sob “tremenda pressão” e que não há garantias de que poderá cumprir com suas obrigações financeiras nos próximos meses.

Este foi o segundo alerta feito pela companhia, que tem uma dívida superior a US$ 300 bilhões, de que poderá não honrar seus compromissos caso não seja capaz de atrair novos investidores e vender ativos.

Em um comunicado enviado hoje à bolsa de Hong Kong, a Evergrande divulgou que suas vendas mensais caíram quase pela metade entre junho e agosto, passando de passando de 71,6 bilhões de yuans (cerca de US$ 11 bilhões) para 38,1 bilhões de yuans (US$ 5,9 bilhões).

Embora setembro geralmente seja um mês de alta nas vendas das incorporadoras na China, a Evergrande culpou “reportagens negativas na imprensa” pela queda na confiança dos consumidores nos imóveis da empresa.

Com a possibilidade de calote e de paralisação de diversas obras, a sede da empresa na cidade de Shenzhen, no sul da China, está sendo alvo de uma série de protestos de investidores e proprietários de imóveis, que temem a falência da companhia, uma das mais endividadas do mundo.

A mídia estatal chinesa noticiou que alguns dos manifestantes se encontraram com executivos da Evergrande no domingo (12), após o grupo suspender os pagamentos de alguns de seus produtos de gestão de fortunas. Nas redes sociais, compradores de imóveis expressaram preocupação de que as obras de suas novas casas não sejam concluídas.

Analistas também alertaram para a possibilidade do calote da Evergrande representar um risco mais amplo para o sistema financeiro da China e para os mercados de bônus internacionais, nos quais a empresa contraiu empréstimos pesados nos últimos anos.

Para tentar evitar o calote, a incorporadora anunciou hoje que contratou uma equipe de reestruturação e nomeou conselheiros para “avaliar a estrutura de capital do grupo e explorar todas as soluções viáveis para aliviar o problema de liquidez atual”.

Desde o início deste ano, as ações da Evergrande despencaram 75%. Hoje, após a divulgação do novo comunicado sobre a sequência dos problemas de liquidez, os papéis do grupo fecharam em baixa de quase 12% na bolsa de Hong Kong.

Os crescentes problemas de crédito do grupo coincidiram com um movimento regulatório de Pequim contra grandes grupos de tecnologia, a indústria imobiliária e outros setores. No ano passado, o governo implementou uma política para reduzir a dívida das grandes incorporadoras, apontadas pelo regulador bancário da China como o maior risco financeiro do país.

“Agora é um momento crítico para a Evergrande”, disse Chuanyi Zhou, analista de crédito da Lucor Analytics, ao “Nikkei Asia”. “Se a chegada de novos investidores não progredir bem e atender às expectativas do governo, é provável que ocorra um calote. Isso provavelmente será seguido por um acordo extrajudicial com os credores, o que pode envolver uma oferta de troca com vencimentos estendidos.

Evergrande culpou “reportagens negativas na imprensa” pela queda na confiança dos consumidores nos imóveis da empresa — Foto: Divulgação/Evergrande
Evergrande culpou “reportagens negativas na imprensa” pela queda na confiança dos consumidores nos imóveis da empresa — Foto: Divulgação/Evergrande