Ainda em fase de testes, plataforma já foi palco de bate-papos da Audi, sobre carros elétricos, e da Nescau sobre esportes

A rede social americana Clubhouse, que reúne pessoas para conversas ao vivo em áudio, incluindo Oprah Winfrey, Elon Musk e Anitta, ganhou popularidade no país há pouco mais de uma semana e já chama a atenção de grandes marcas interessadas na aproximação com seus públicos. Ainda em fase de testes e restrita a dispositivos Apple, a plataforma já foi palco de bate-papos da Audi, sobre carros elétricos, e da Nescau, marca da Nestlé, sobre esportes.

“Desde que o Clubhouse explodiu observamos uma audiência qualificada e achamos interessante puxar uma roda de discussão”, diz Claudio Rawicz, diretor de comunicação e marketing da Audi do Brasil. A empresa abriu uma sala para falar de carros elétricos na segunda-feira passada. “Embora chancelada pela Audi, a discussão foi neutra e trouxe um tema contemporâneo envolvendo o presente e o futuro da mobilidade sustentável”, afirma o executivo.

Claudio Rawicz, diretor de comunicação e marketing da Audi do Brasil — Foto: Divulgação

A conversa ao vivo de 90 minutos contou com a participação da Associação Brasileira dos Veículos Elétricos Inovadores (Abravei), que reúne donos de veículos elétricos, bem como dos influenciadores da Audi. “Mais de mil pessoas passaram na sala durante a conversa e recebemos contatos de pessoas interessadas em testar nossos modelos elétricos”, afirma Rawicz.

Esporte foi o tema escolhido pela marca Nescau, da Nestlé, em sua primeira conversa na rede social, que reuniu a atleta paralímpica Verônica Hipólito e a ginasta Flavia Saraiva, nesta semana. “As pessoas estão sedentas para conversar e interagir com celebridades e decidimos debater assuntos que permeiam a marca”, conta Abner Bezerra, gerente de marketing de Nescau e bebidas da Nestlé Brasil.

Tanto Audi como Nestlé dizem que abrirão novas conversas na rede. “Entramos com o coração aberto para aprender e trazer o máximo de conteúdo relevante”, diz Bezerra. “Agora, na pandemia, entendemos que é um formato legal para trocar ideias e conversar.”

Agências de publicidade estão mergulhadas no Clubhouse e analisando a proposta da rede criada pelos empreendedores Paul Davison e Rohan Seth, que começou com um clube de empreendedores do Vale do Silício, nos Estados Unidos. No fim de janeiro, os convites para entrar na rede dispararam com a entrada de celebridades como o empresário Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX e da apresentadora Oprah Winfrey.

Vitor Elman, vice-presidente de criação da agência digital Capuccino, do grupo IPG, trabalha em propostas para engajamento de empresas na plataforma. “A iniciativa da Audi segue a tendência das marcas virando geradoras de conteúdo”, afirma.

O fato de não ter conversas gravadas, que não se perpetuam, é um atrativo da rede de voz, na visão de Paula Puppi, vice-presidente de transformação da WPP. Embora o criador da sala possa controlar quem entra ou sai do ‘palco’ virtual, Paula nota que deve haver preparação. “A conversa é ao vivo e o representante da marca precisa ter poder para responder a um cliente na hora.”

A falta de acesso ao Clubhouse para usuários de Android, que respondem por mais de 70% dos smartphones em uso no mundo, é outra preocupação da especialista. “Como vou colocar uma marca para não falar com usuários Android?”, questiona.

Elman afirma que a fase de testes serve justamente para definir os melhores usos do Clubhouse. Um deles seria um complemento a transmissões como seminários e eventos on-line. “Após um webinar, que normalmente é uma conversa de um canal só, ou mesmo um podcast, o apresentador pode convidar pessoas a conversarem abertamente na rede social”, afirma.

De fato, o ClubHouse vem aproximando pessoas de celebridades e gurus que costumam cobrar caro por palestras, mas não existe almoço grátis no mundo dos negócios. “O clube pago com salas fechadas e cobrança de ingressos será o primeiro modelo de remuneração da rede”, afirma Paula. “Mas antes de colocar a marca na fila de espera por uma sala fechada, ainda há muito a descobrir”, conclui.

Fonte: Valor Econômico – Por: Daniela Braun

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