Alperowitch afirmou que o ESG avançou no Brasil, mas discussão ainda rasa

O sócio-fundador da gestora Fama, Fabio Alperowitch, afirmou que o grande perigo hoje no universo dos investimentos ESG (sigla em inglês para critérios ambientais, sociais e de governança) é o chamado “greenwashing” – também conhecido como “maquiagem verde” -, quando uma empresa tenta mostrar uma faceta sustentável sem de fato o ser.

Na “Live do Valor”, Alperowitch afirmou que o ESG avançou no Brasil. Ainda assim é uma discussão rasa. Segundo ele, o país deve ficar “inundado” pelos riscos de “greenwashing” nos próximos dois, três anos.

Ele citou como exemplo disso os bônus sustentáveis. O conceito deles, de atrelar os juros pagos aos investidores ao cumprimento de determinadas metas ESG, é ótimo, mas o que acontece é que muitas vezes as empresas escolhem metas que não fazem parte da essência do seu negócio, ou com objetivos pouco desafiadores, ao mesmo tempo em que a punição em caso de descumprimento também é pequena, o que significa que a pressão para atingir os compromissos não é tão grande.

Como exemplo positivo, ele citou os bônus sustentáveis de US$ 1 bilhão emitidos na semana passada pela Natura, que têm metas relevantes e forte punição em caso de descumprimento.

Ao se referir aos riscos de “greenwashing” e como as empresas muitas vezes tentam passar uma imagem sustentável sem de fato o ser, ele disse que isso também acontece com países. Nesse ponto, afirmou que o discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro na última Cúpula do Clima foi vago e deixa os compromisso para os próximos governos. “Dizer que vai zerar o desmatamento em 2030 e se tornar carbono neutro em 2050 sem dar detalhes, sem um plano, é muito vago”.

Alperowitch comentou que outro erro cometido entre os investidores no Brasil é classificar os critérios ESG como filantropia, isto é, sem retornos, quando na verdade estudos comprovam o oposto. “Os fundos ESG rendem mais e têm menos riscos”, exemplifica o especialista.

O sócio-fundador da Fama diz que outro equívoco é relacionar os critérios ESG ao perfil de um produto. “ESG é um processo, não produto”, disse. Ele citou as empresas Natura, MRV, Localiza e Fleury como exemplos positivos de que absorveram esse entendimento, embora estejam em “setores controversos, com desafios ambientais e sociais”.

Fonte: Por Álvaro Campos e Fernanda Bompan — De São Paulo, Valor Econômico.