Presidente da rede de imobiliárias vê cenário macroeconômico como favorável ao setor

Os juros baixos, apesar da alta recente, a oferta de crédito habitacional e a demanda reprimida por imóveis vão resultar em forte crescimento dos lançamentos por meio da rede de imobiliárias Lopes neste ano. Há previsão, segundo o presidente, Marcos Lopes, de aumento de 62% da parcela intermediada pela rede no Valor Geral de Vendas (VGV) apresentado por incorporadoras, para R$ 7,4 bilhões.

“O ciclo imobiliário só não será maior por causa da pandemia de covid-19. Sem a pandemia, o crescimento seria ainda mais exuberante”, diz o empresário. Na avaliação de Lopes, as condições macroeconômicas favoráveis à demanda por imóveis não irão mudar e, ainda que mais lento do que o esperado, há um processo de vacinação em curso, também positivo para o mercado à medida que avança.

Considerando-se também a parte que será lançada por meio das empresas próprias de vendas das incorporadoras e de outras redes de imobiliárias, o total de lançamentos dos quais a Lopes fará parte chegará a R$ 14,1 bilhões.

A decisão final em relação aos lançamentos projetados depende de cada incorporadora. Atualmente, os estandes de vendas estão fechados na cidade de São Paulo – maior mercado imobiliário do país -, o que desestimula a apresentação de novos projetos para as classes média e alta, cuja compra depende mais da visitação aos plantões do que a aquisição de unidades do programa habitacional Casa Verde e Amarela.

Segundo Lopes, “um ou outro lançamento”, que já contava com forte trabalho de pré-vendas tem sido realizado. No entendimento do empresário, o fechamento dos estandes provoca adiamento da maioria das apresentações de projetos ao mercado, mas “postergado não é cancelado”. “Quando o lançamento sair, terá demanda. Não se extingue a demanda, se reprime”, diz Lopes.

Ele ressalta que não houve paralisação das vendas, que têm ocorrido digitalmente.

A tecnologia tem sido, justamente, a principal aposta da maior rede de imobiliárias do país para acelerar a velocidade de comercialização dos produtos e ganhar participação de mercado. Por meio do Lopes Labs, a empresa tem desenvolvido ferramentas digitais para aproximar “o imóvel certo do corretor certo e do comprador certo”, segundo o empresário, movimento chamado por ele de “tri-match”.

Desde o fim de 2020, a Lopes está usando inteligência artificial a partir dos dados e retornos dos usuários do seu portal para aprimorar os algorítimos utilizados e possibilitar “oferta ativa inteligente” de unidades.

“Acreditamos que a companhia caminha para um cenário de possível incremento de margens cada vez mais consistente, capturando a eficiência operacional e foco em tecnologia e no comprador”, afirma Lopes.

No primeiro trimestre, as intermediações imobiliárias nas operações próprias da Lopes aumentaram 48%, na comparação anual, para R$ 750 milhões, enquanto as vendas das franquias tiveram expansão de 68%, para R$ 1,195 bilhão. O volume de financiamentos originados pela CrediPronto cresceu 177%, para R$ 1,4 bilhão.

No quarto trimestre de 2020, a rede de imobiliárias obteve, na capital paulista, velocidade de vendas de 22,4%, ante 18,7% um ano antes. No Brasil, o indicador passou de 14,6% para 24%. Melhorias no portal permitiram aumento de 32% da conversão de vendas no trimestre.

A rede de imobiliárias também tem ganhado participação de mercado. Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) apontou que a fatia da Lopes, entre as dez maiores vendedoras, na Região Metropolitana de São Paulo, cresceu de 36%, em 2016, para 40%, em 2020.

No quarto trimestre, o lucro líquido atribuível aos controladores da Lopes cresceu 14%, na comparação anual, para R$ 1,952 milhão. A receita líquida aumentou 21%, para R$ 53,88 milhões. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações) teve expansão de 45%, para R$ 18,76 milhões. A margem Ebitda passou de 29,2% para 34,8%.

Fonte: Valor Econômico – Por Chiara Quintão

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