Avanço do juro real vem na esteira de um momento de bastante pressão sobre a curva de juros

Diante da pressão sobre a curva de juros exercida pelo aumento dos riscos fiscais e pelas expectativas de inflação para este ano em alta, a taxa de juro real ex-ante voltou a ganhar fôlego na semana passada e atingiu o maior nível desde 12 de março de 2020. Cálculo do Valor Data a partir do contrato de swap de juro de 360 dias, descontada a projeção de infliação para um ano, aponta para uma taxa real de 1,07%.

O avanço do juro real vem na esteira de um momento de bastante pressão sobre a curva de juros. Após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ter elevado a Selic em 0,75 ponto percentual neste mês, para 2,75%, cresceram apostas no mercado de que a autoridade monetária terá de entregar uma normalização integral da política monetária neste ano a fim de manter as expectativas de inflação ancoradas. A comunicação do Copom, contudo, continua a apontar para uma normalização parcial da taxa básica de juros.

No Boletim Focus, a mediana das projeções do mercado para o IPCA em 2021 subiu de 4,71% para 4,81% e o ponto médio das estimativas para a inflação em 2022 se manteve inalterado em 3,51%. Apesar disso, a média das projeções para o IPCA no ano que vem avançou de 3,57% para 3,59%, o que indica que mais alguns analistas têm revisado para cima suas projeções de inflação para o ano que vem. Já em relação à Selic, o Focus continua a apontar para uma taxa de 5% no fim deste ano e de 6% em 2022.

Fonte: Jornalista Victor Rezende, Valor– São Paulo.