A maior contribuição individual para a inflação do mês veio de gasolina, com impacto de 0,17 ponto percentual e alta de 2,80%

Por Lucianne Carneiro e Alessandra Saraiva

IPCA é o maior para agosto em 21 anos e inflação vai a 9,28% em 12 meses
Foto: Marcello Casal Jr/ABr

Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,87% em agosto, após marcar 0,96% em julho. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto de 2020, o IPCA teve alta de 0,36%. É a maior taxa para o mês de agosto desde 2000 (1,31%).

A maior contribuição individual para a inflação de agosto veio de gasolina, com impacto de 0,17 ponto percentual e alta de 2,80% no mês.

A taxa de agosto de 2021 ficou acima da linha da mediana das projeções de 35 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data, de avanço de 0,70%. O resultado ficou acima do teto do intervalo das projeções, que iam de elevação de 0,62% e 0,85%.

Pelo indicador acumulado em 12 meses, o IPCA ficou em 9,68% em agosto, ante 8,99% acumulados até julho. É a maior taxa em 12 meses desde fevereiro de 2016 (10,36%). O resultado de 9,68% ficou acima do centro da meta inflacionária estabelecida pelo Banco Central (BC) de 3,75% para 2021- sendo que a meta tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. Para o resultado acumulado em 12 meses, a mediana das estimativas do Valor Data era de 9,50%, com projeções entre 9,40% e 9,66% de avanço.

Grupos

Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, indicador oficial de inflação do governo, oito tiveram aceleração em agosto.

Foram observadas taxas maiores ou queda menos intensa na passagem entre julho e agosto em alimentação e bebidas (de 0,60% para 1,39%); artigos de residência (de 0,78% para 0,99%); vestuário (de 0,53% para 1,02%); transportes (de 1,52% para 1,52%); saúde e cuidados pessoais (de -0,65% para -0,04%);despesas pessoais (de 0,45% para 0,64%); educação (de 0,18% para 0,28%); comunicação (de 0,12% para 0,23%).

Por outro lado, foi observada moderação no ritmo de alta em habitação (de 3,10% para 0,68%).

Entre as classes de despesas, o maior impacto em ponto percentual no IPCA de agosto de 2021 partiu de Transportes, com 0,31 ponto percentual. Por produtos, o maior impacto em pontos percentuais no IPCA de agosto foi originado de gasolina, com alta de 2,80% e impacto de 0,17 ponto percentual.

Regiões

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos 12 meses até agosto já está em dois dígitos em oito das 16 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com taxas acima de 10%, apareceram Vitória (11,07%), Curitiba (12,08%), Goiânia (10,54%), Campo Grande (11,26%), São Luís (11,25%), Porto Alegre (10,42%), Rio Branco (11,97%) e Fortaleza (11,20%).

Entre os demais destaques, a inflação de São Paulo ficou em 9,12%, a do Rio de Janeiro, em 8,9%, e a de Belo Horizonte, em 9,67%.

O IBGE calcula a inflação oficial brasileira com base na cesta de consumo das famílias com rendimento de uma 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracajú e de Brasília.