Entidade abre sete filiais e vê o número de empresas associadas dobrar em meio à pandemia

Dario Neto, diretor-geral do ICCB: “A pandemia acelerou o processo de transformação do capitalismo”

No ano passado, o número de corporações associadas ao Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB) dobrou, chegando a 200 empresas. Criado por John Mackey, um dos fundadores da varejista Whole Foods, hoje pertencente à Amazon, o movimento foi pioneiro em defender a ideia de que a geração de valor social, e não o lucro, é o principal objetivo de uma companhia. Segundo Dario Neto, diretor-geral do ICCB, a pandemia elevou a consciência dos empresários.

“Diante do cenário catastrófico, muitos buscaram uma nova forma de atuar e agir”, afirma Neto. “A pandemia acelerou o processo de transformação do capitalismo”. Para aproveitar melhor a onda, o instituto encomendou ao Grupo Bittencourt, consultoria especializada na criação de redes de franquias, um estudo de viabilidade e construção de um modelo de negócios. Desse trabalho, surgiu a ideia de expandir o alcance do movimento por meio de embaixadores regionais, que coordenam ações de conscientização em suas cidades.

Na primeira fase do plano, foram abertas sete filiais: Belo Horizonte, Campinas, São José do Rio Preto, Sorocaba, Brasília, Espírito Santo e Curitiba. A meta é chegar a 10 regiões neste ano. Esse processo de expansão nacional está sendo gerido por Daniela Garcia, diretora de operações do ICCB.  “Nosso trabalho é de dar apoio e fornecer conteúdo para que os embaixadores locais possam disseminar o movimento”, afirma Garcia.

Segundo Francine Pena Póvoa, co-líder da recém criada regional de Minas Gerais, em Belo Horizonte, o maior desafio é mudar a visão dos empresários sobre o capitalismo consciente, especialmente no que diz respeito à cultura de resultados. “Boa parte dos empresários tem um entendimento equivocado do termo capitalismo consciente e consideram que é uma abordagem contrário ao lucro”, diz Póvoa. O que o ICCB prega, na realidade, é que, ao focar suas atenções na geração de valor para todos os stakeholders, a empresa aumenta a lucratividade, não diminui.

Novo capitalismo

As mudanças em curso no capitalismo, com o fim do reinado do retorno ao acionista como principal objetivo das empresas, ganharam força após o The Business Roundtable, grupo que reúne os CEOs das maiores empresas dos Estados Unidos, divulgou uma carta se comprometendo com o novo modelo, em agosto de 2019. Em janeiro do ano seguinte, o tema da responsabilidade social, ambiental e da governança foi a principal pauta discutida no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça.

Outro impulsionador dessa agenda é o CEO da BlackRock, a maior gestora do mundo, que há cinco anos conclama investidores e empresários a adotar o ESG como modelo de gestão. A pandemia também acelerou esse processo globalmente.

Fonte: Rodrigo Caetano, repórter ESG.