Drones para captar fotos de imóveis, vídeos em alta qualidade para apresentações no YouTube, anúncios automatizados em mídias sociais são algumas das soluções tecnológicas já utilizadas no mercado brasileiro

O mercado de imóveis brasileiro, embora já tenha adotado soluções tecnológicas para lançamentos de projetos, como por exemplo o uso de QR Code em anúncios de venda e atendimentos virtuais, ainda é jovem em relação à realidade tecnológica do segmento norte-americano.

Porém, drones para captar fotos de imóveis, vídeos em alta qualidade para apresentações no YouTube, anúncios automatizados em mídias sociais, por exemplo, são algumas das soluções tecnológicas já utilizadas por aqui. A plataforma de CRM – Customer Relationship Management chamada Pipedrive é mais um exemplo de solução já aplicada por empresas brasileiras. Criada na Estônia, a ferramenta tem gestão de funil, metas e relatórios de vendas, além de formulários e descrição das atividades, entre outros recursos para a gestão de relacionamento com o cliente e das equipes. Mas é focada somente em vendas. Já a americana Sharp Spring, é uma das únicas no planeja a integrar Marketing e Vendas e fazer toda a gestão do funil de vendas e marketing em um único CRM. No Brasil, o representante oficial da ferramenta no mercado imobiliário é a empresa Funnil. O Brasil já “importou” também a difundida estratégia de home staging para incrementar a decoração da casa e valorizá-la em imagens para vender.

Da mesma forma, a indústria da construção civil no Brasil tem evoluído em termos de gestão, desenhos e projetos 3D, do analógico para o digital. É o caso da Embraed que já utiliza o sistema chamado BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção), que são modelos detalhados gerados no computador em 3D para serem executados com precisão durante a obra, conforme definição realizada pelo National Building Information Model Standard (NBIMS-US), o Conselho do Instituto Nacional de Ciências da Construção, dos Estados Unidos. A empresa também testa suas edificações em estudos de túnel de vento em países como Canadá, Austrália e Inglaterra. Além de realizar tours e apresentações 3D dos empreendimentos com óculos especiais, também utiliza o DWV, aplicativo exclusivo para corretores de imóveis de todo o Brasil que reúne informações atualizadas da construtora para mais de 14 mil corretores em tempo real.

Entretanto, quando o assunto é venda de imóveis, nos EUA, o país com maior liquidez imobiliária no mundo, além de conectar dados relativos à construção civil, os imóveis têm, inclusive, inventários públicos completos – chamados de Multiple Listing Service (MLS). Um sistema que dá acesso, inclusive, para pesquisa de imóveis à venda por rua, vendas e recolhimento de impostos que são disponibilizados na rede para que os brokers, ou corretores imobiliários em atividade regulados pela associação nacional de corretores chamada National Association of Realtors (NAR), possam ter conhecimento.

No Brasil, especialmente pela falta de digitalização de cartórios e registros de imóveis, essa solução ainda deve demorar para ser incorporada pelo mercado. Porém, já há iniciativas de empresas para concentrar informações e digitalizar processos. Inspirado nesse modelo norte-americano, o Fast Sale, criado pela catarinense Sort Investimentos, deve contribuir para mudar o panorama do então tradicional comércio feito por uma ou poucas imobiliárias. A tecnologia irá funcionar como um marketplace para atender profissionais da área utilizando o sistema de venda compartilhada. Ou seja, assim como nos Estados Unidos, o Fast Sale também irá interconectar corretores de imóveis, disponibilizando centenas de oportunidades em lançamentos, imóveis em construção, entregues ou usados, para comercialização por meio de um sistema compartilhado.

Na fase de testes, o Fast Sale já contribuiu para comercializar um imóvel em menos de 23h. Isso porque diferentemente de outros sistemas de websites disponíveis no mercado brasileiro para anúncios que não oferecem a intermediação de profissionais, a plataforma digital deverá conectar proprietários de imóveis com milhares de corretores cadastrados. De acordo com o idealizador da tecnologia, o CEO da Fast Sale Renato Monteiro, o software também solucionará outros fatores que impedem uma venda rápida como a falta de qualidade do material visual para a apresentação do imóvel, bem como, avaliações feitas por peritos na área. Dessa forma, promete facilitar a vida dos donos de imóveis com a comercialização de propriedades em até 60 dias.

Para o desenvolvimento do programa, foi realizado um investimento de cerca de R$ 3 milhões e a intenção é captar e cadastrar mais de 100 mil imóveis em cinco anos e reunir os 389,4 mil corretores de imóveis que atuam no Brasil, de acordo com o Sistema Cofeci-Creci (dados divulgados em agosto de 2019). Após esse período, o idealizador ainda planeja disponibilizar o sistema para outros países da América Latina, que segundo ele, também possuem carências semelhantes em termos de soluções tecnológicas e digitalização de processos para a venda de imóveis como o Brasil.

Fonte: Época Negócios – Jornalista Juan Pablo D. Boeira