Modelo tem 15 empreendimentos abertos e 10 em desenvolvimento

Bastante comum nos Estados Unidos, o modelo “strip mall” começa a decolar no Brasil depois de várias tentativas. Trata-se de uma operação pequena, com uma média de 18 lojas, cerca de 3 mil m2 de área bruta locável (ABL), localizada em áreas abertas, de fácil acesso e providas de estacionamento.

A explicação para essa mudança de comportamento por parte do varejo está pautada, segundo Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&Mall, em três frentes: crescimento do varejo de proximidade, maior número de pessoas morando sozinhas e excesso de trânsito nos grandes centros. “Somam-se a esses fatores a flexibilização das jornadas de trabalho na pandemia, a adoção em larga escala do home office e os altos custos de ocupação dos shoppings para as marcas menores”, afirma o consultor. “O custo médio do condomínio é cinco vezes menor, uma vez que é mais barato operar esses pequenos centros, mesmo mantendo os serviços de segurança, limpeza e manutenção.”

Dos 150 associados da Associação Brasileira de Strip Malls (ABMalls), quatro são do Paraná, que vem investindo nesse modelo. “As operadoras paranaenses são novas, porém, bastante ativas. São 15 empreendimentos abertos e 10 em desenvolvimento”, diz Marcos Saad, presidente da entidade. “Juntos, respondem por 10% do volume de vendas de nossos associados, que em 2020 foram de R$ 500 milhões.”

Atento ao aumento da demanda para esse tipo de espaço, Breno Prestes, CEO da Prestes Construtora, com sede em Ponta Grossa e especializada em conjuntos habitacionais populares, decidiu agregar os “strip malls” a seus projetos. “Trata-se de uma boa oportunidade para ampliar a rentabilidade do empreendimento, entregando à população da região serviço, conveniência e lazer”, afirma. “O projeto piloto está em andamento em Ponta Grossa, mas já estudamos operar em Guarapuava, Londrina e na capital Curitiba”, diz.

De acordo com Luis Napoleão, CEO da Induscon, incorporadora e desenvolvedora imobiliária, os projetos partem de terrenos com 6 mil m2 de área e 3 mil m2 de ABL, que exigem investimentos da ordem de R$ 20 milhões. “O desafio é encontrar espaços com preços viáveis, uma vez que os terrenos estão super valorizados, principalmente em Curitiba.”

Operando no modelo de fundo imobiliário, a Induscon já investiu R$ 120 milhões na construção de cinco “strip malls”, localizados na capital e na grande Curitiba. Em 2022, deverá inaugurar mais quatro, nas mesmas regiões. “Com a taxa Selic baixa, os investidores decidiram apostar no segmento para aumentar a renda, o que abre boas oportunidades de expansão da nossa rede”, diz Napoleão.

Fonte: Por Katia Simões — De São Paulo.