As reformas mais demandadas incluem espaço para home office, áreas de lazer e cozinha gourmet

Comodidade. O arquiteto elabora o projeto a partir de fotos e vídeos dos ambientes que o morador planeja repaginar Foto: Getty Images/iStockphoto

A pandemia que deixou a Humanidade trancada em casa levou muita gente a prestar mais atenção a detalhes da moradia que antes passavam despercebidos. Mas como recorrer a um arquiteto para resolver os probleminhas causados pelo uso ou pelo passar dos anos se o protocolo sanitário exige distanciamento social? A solução está ao alcance de um clique do mouse. Plataformas virtuais permitem desenhar a repaginação do imóvel sem sair da frente do computador e sem contato físico. O preço de um projeto on-line varia de acordo com alterações pretendidas, mas a reforma simples de um cômodo custa a partir de R$ 2 mil.

Cabe ao morador fazer fotos e vídeos dos ambientes que planeja repaginar. Vídeos em 360 graus também são bem-vindos. A partir daí, o arquiteto elabora o projeto que é aprovado em reunião por plataforma de comunicação. O maior volume de pedidos, por enquanto, é para transformar algum cômodo da casa em escritório.

— As pessoas redescobriram suas casas e precisaram adaptar alguma área para o home office. Com isso, estamos fazendo três vezes mais projetos do que antes — observa Renata Pocztaruk, CEO da ArqExpress.

A arquiteta explica que o projeto é entregue com todas as especificações e detalhes discutidos com o cliente, como melhorar a ventilação de um ambiente, mudar a cor de uma poltrona ou iluminar determinado cômodo. Na fase seguinte, o cliente recebe uma lista com a recomendação de profissionais especializados e todos os itens sugeridos no projeto. Mas muitos executam serviços simples por conta própria, diz ela.

— Fizemos um projeto de mesas em alturas diferentes porque o apartamento era pequeno e tanto o pai quanto o filho precisavam de espaço próprio. Um para trabalhar e outro para estudar — conta Renata.

Fotos e plantas

No Arquiteto Virtual, da Europ Assistance Brasil (EABR), outras demandas também fizeram sucesso: a reformulação das áreas de lazer, como churrasqueiras, piscinas e jardins ou a criação de uma cozinha gourmet. O serviço é oferecido a clientes de seguros residenciais ou em redes varejistas de móveis ou de material de construção. A gerente executiva de Marketing e Produtos da EABR, Luciana Volante, explica que, para iniciar um projeto digital, o cliente deve fornecer fotos da área e a planta do ambiente que quer reformar.

— Se o cliente não tiver a planta disponível, pode aprender a desenhá-la na própria plataforma. Esse processo, que antes durava até três meses, hoje não leva 15 dias — diz ela, informando que o relatório final para o cliente inclui fotos em 3D do ambiente pós-reforma.

Há orientações inclusive sobre as mudanças nas partes elétrica e hidráulica se for o necessário. Os escritórios tradicionais também precisaram se reinventar. Professor da PUC e um dos diretores da Cité Arquitetura, Celso Rayol liderou a equipe que fez um prédio inteiro em processo on-line, o Atobá Leblon. A tarefa incluiu as conversas com o artista plástico Daniel Senise, autor do painel que decora a fachada. Presidente da seção Rio da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA/RJ), Rayol considera que, mesmo quando a pandemia passar, o trabalho virtual se manterá.

— Hoje, 90% de nossas ações são virtuais. Nada supera o contato com o cliente para que o arquiteto conheça em detalhes o lugar que será contemplado no projeto de reforma, mas há ferramentas que ajudam a criar o contexto. Agora é possível até mesmo compartilhar a tela do computador com quatro pessoas desenhando ao mesmo tempo.

Fonte: Por G.LAB, O Globo.