Menor participação de projetos menos rentáveis e mudança do mix com aumento do padrão contribuíram para melhora na rentabilidade

A Gafisa obteve lucro líquido de R$ 6,2 milhões, no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo líquido de R$ 56,5 milhões do mesmo período do ano passado. Foi o quarto trimestre consecutivo em que a companhia fechou seus resultados no azul.

A receita líquida cresceu 12%, para R$ 166,8 milhões. A margem bruta passou de 16,4%, de julho a setembro de 2020, para 39,7%.

Para a melhora da rentabilidade, contribuíram a menor participação de projetos das safras antigas, menos rentáveis, e a mudança do mix de projetos, com aumento do padrão dos produtos, o que se reflete nos preços.

Sem considerar vendas de unidades do Tom Delfim Moreira — cada apartamento custa R$ 60 milhões —, a margem bruta da Gafisa tende a se estabilizar no patamar de 33% a 35%, segundo o vice-presidente de finanças e gestão da companhia, Ian Andrade.

O indicador projetado para os projetos antigos fica na faixa de 20% a 25% e, para os novos, de 30% a 40%.

A companhia acumula lucro líquido de R$ 62 milhões, em 12 meses, e estima fechar este ano com resultado líquido positivo. Se isso ocorrer, de fato, será o primeiro lucro líquido anual desde 2015.

Lançamentos

A Gafisa caminha para o fim de 2021 com a meta de lançamentos cumprida, com expectativa de manutenção, no próximo ano, do mesmo volume de negócios e com conversas avançadas com marcas internacionais de luxo, “life style” e design sobre possíveis parcerias.

Até o momento, o Valor Geral de Vendas (VGV) lançado chega a R$ 1,68 bilhão, dentro da faixa estimada para este ano de R$ 1,5 bilhão a R$ 1,7 bilhão. É possível que a Gafisa ainda apresente mais algum projeto ao mercado até o fim do ano. As apostas se concentram em produtos bem localizados e com diferenciais, de acordo com o vice-presidente de operações, Guilherme Benevides.

Com projetos nos padrões médio-alto, alto e altíssimo, a companhia tem sentido aumento nas visitas aos estandes de vendas, mas redução na conversão da procura em fechamento de negócios.

De julho a setembro, a Gafisa Capital teve seu primeiro trimestre de atuação, com captação de R$ 250 milhões. Trata-se de unidade de negócios com foco em levantar recursos com investidores qualificados para a aquisição de terrenos ou para a reciclagem de capital da incorporadora.

Dos R$ 250 milhões, R$ 100 milhões foram captados para a compra de duas áreas, na capital paulista, cujo VGV dos projetos somará R$ 510 milhões. O objetivo de levantar os demais R$ 150 milhões foi levar sócios a quatro projetos, com VGV conjunto que chega a R$ 800 milhões, e retornar para a Gafisa os recursos aportados, anteriormente, nos terrenos onde esses empreendimentos serão desenvolvidos. A incorporadora ficará com participação que irá de dois terços a três quartos dos projetos desenvolvidos com recursos obtidos pela Gafisa Capital.

A Gafisa possui banco de terrenos e projetos que indicam capacidade para lançamentos anuais na faixa entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões.

Fonte: Valor Econômico