Alta da Selic não deve refletir imediatamente no crédito imobiliário, o que torna o momento favorável para a aquisição da casa própria

Mesmo estando no segundo ano da pandemia de Covid-19, o setor imobiliário segue crescendo. No primeiro trimestre – fevereiro, março, abril – as empresas do ramo de construção intensificaram seus lançamentos e vendas, de acordo com os dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc),

Com um aumento de 45,4% em relação ao mesmo período do ano passado, ao todo, 28.470 unidades foram lançadas no período. Os números são resultados da pesquisa com 18 empresas associadas concentradas na região Sudeste. As informações ainda revelam que, mesmo diante da crise econômica, os distratos representaram apenas 11% das vendas totais, um decréscimo de 1,2 ponto porcentual.

Os números de estoque de imóveis (na planta, em obras e recém-entregues) aumentaram 2,6%. Os consumidores continuam exigentes e atentam-se aos pequenos detalhes na hora de decidir fechar um negócio.

O primeiro semestre de 2021 acaba de chegar ao fim, mas a expectativa já é de recorde pelo segundo ano seguido para o financiamento imobiliário, que cresceu 57,5% no ano passado. O que indica a favorabilidade para este marco é que, no primeiro trimestre de 2021, o volume de financiamentos imobiliários deu um novo salto de 113% em relação aos três primeiros meses de 2020.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), as operações de janeiro a março deste ano atingiram o valor recorde de R$ 43,1 bilhões. Foram vendidas 187,6 mil unidades.

Uma série de fatores têm contribuído para este cenário favorável, mesmo em meio às dificuldades trazidas pela pandemia, como o aumento dos preços de materiais de  construção. A queda dos juros do crédito imobiliário facilitou essa escalada. As taxas, que ficavam na média de 11% em 2016, caíram para cerca de 6% atualmente.

Mesmo com a expectativa de aumento da Selic para 6,75% até o fim do ano, a elevação dos juros pode até desacelerar um pouco o ritmo, mas não vai afetar a tendência de alta registrada no setor. Já para o fim de 2022, a estimativa é que a taxa básica suba para 7% ao ano. Sendo mais futurista ainda, para 2023 e 2024 a previsão é de 6,50% ao ano.

A poupança das famílias mudou na pandemia. Os mais ricos viram suas poupanças crescendo, enquanto os mais pobres sofreram com a perda de emprego ou redução de salários. Com o susto, muitos começaram a poupar mais. Assim, conseguiriam enfrentar qualquer emergência que fosse. Além do mais, o desemprego iminente assustava o brasileiro que guardava o que podia, em caso de urgência. Isso fez o consumo cair, e a poupança aumentar. Inclusive, mais de 70% dos brasileiros começaram a poupar.

Em termos de procura por imóveis, aumentou a demanda por propriedades maiores e fora das cidades em detrimento dos pequenos apartamentos na capital, sejam opções na planta, em leilões, usados e imóveis de luxo. Houve quem preferiu uma casa mais ampla para a família e quem preferiu investir para alugar e gerar uma renda extra.

No período, a adaptação às novas tecnologias ajudou o setor imobiliário. As plataformas de venda e aluguel de imóveis e as imobiliárias tradicionais passaram a oferecer tours virtuais, o que garantiu que os interessados continuassem a procura pelo imóvel ideal.

Por fim, o déficit habitacional histórico no Brasil continua elevado, com 5,8 milhões de moradias, e a tendência é de aumento, de acordo com os dados revisados pela Fundação João Pinheiro referente ao ano base de 2019. Ou seja, ainda há uma expressiva demanda para a aquisição da casa própria ou troca pela segunda moradia.