Faturamento diz respeito ao período até abril passado. Presidente da Abrafarma afirma que estreitou conversas com o Governo Federal para iniciar aplicação de vacinas contra Covid-19


O faturamento das farmácias ligadas à Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma)
chegou a R$ 56,87 bilhões nos últimos 12 meses até abril. No período entre janeiro e outubro de 2020,
apresentou aumento de 7,76% na comparação com igual período de 2019.

Os dados foram apresentados na coletiva virtual de comemoração aos 30 anos de fundação da entidade. A Abrafarma representa 10,2% do total de 81 mil lojas existentes no País e mais 40% do faturamento do setor no Brasil, contando com grandes redes, como a Pague Menos.

Na oportunidade, o presidente da Abrafarma, Sergio Mena Barreto, revelou que estreitou o contato com o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e hoje parece mais próximo um acordo para que as farmácias participem do esforço de vacinação no Brasil com o Plano Nacional de Imunização (PNI), oferecendo as unidades que já possuem o serviço de imunização para que sirvam de bases para que a vacina contra Covid-19 seja aplicada.

As farmácias filiadas à Abrafarma possuem, juntas, mais de 5 mil unidades com capacidade de aplicar vacinas. No Ceará, esse número chega a 120 salas adaptadas. A Associação até criou um modelo de aplicativo com recursos próprios para permitir o agendamento da vacinação. “Queremos fazer milhões de atendimentos. Estamos à disposição das prefeituras, governos e governo federal. Estamos prontos para isso.”

“A partir do momento em que o governo autorizar, as pessoas poderão baixar um aplicativo e, a partir do CEP, as pessoas vão agendar perto de suas casas, o sistema vai dar um lembrete, a pessoa vai chegar na farmácia com o QR Code ou protocolo. Estamos com conversas avançadas com o ministro e assim quando o Brasil tiver mais vacinas, vamos ajudar o SUS. Podemos facilmente bater mais de 2 milhões de aplicações”, frisa.

Atualmente, em parcerias com municípios de São Paulo e Rio Grande do Sul, redes ligadas à Abrafarma atuam no modelo projetado para ser utilizado em nível nacional após a autorização do Ministério da Saúde. Segundo Sergio, não há intenção de que as farmácias comprem vacinas neste momento.

“Não queremos furar a fila, queremos que ela ande mais rápido com a ajuda das farmácias”, afirma o presidente da Abrafarma. Ele diz ainda que a capacidade logística das redes já tem a premissa de transportar com refrigeração grandes quantidades de medicamentos, o que poderia ser utilizado no manejo de vacinas em apoio ao Governo Federal. As lojas ligadas à Abrafarma distribuem todos os dias 10 milhões de itens dos centros de distribuição às farmácias filiadas.

Demanda por medicamentos

Sobre o aumento de preços dos remédios, mesmo em meio ao período da pandemia, o presidente da Abrafarma destaca que 90% dos princípios ativos dos medicamentos vêm de fora, o valor dos fretes subiram 14%, além do salto impactante do dólar.

“Realmente o setor vem sofrendo uma pressão de custos enorme. Algumas farmacêuticas precisam alugar aviões para fretes em conjunto para trazer produtos para o Brasil. Os fabricantes estão passando por um momento grave, de aumento de demanda, aumenta de preços de insumos, e é uma guerra para não faltar produtos. Em 2020, foi terrível”, avalia.

Benzatacil, que trata sífilis, faltou no Brasil e essa é uma doença que tem saído do controle neste momento. Ao mesmo passo, o presidente diz que a demanda por Hidroxicloroquina subiu de maneira importante desde o ano passado, o que surpreendeu os fabricantes num primeiro momento, já que o ativo era utilizado para tratamentos, como para malária.

“Aumentou muito a prescrição de hidroxicloroquina, e temos dois grandes fabricantes. A demanda explodiu por conta dos médicos que receitam tratamento precoce. Não temos falta desse tipo de produto”, diz.

Testes rápidos

Testes rápidos representaram aproximadamente 1% do total faturado pelas farmácias, mas ele destaca a importância social do serviço. “Esse é um serviço que não tem preço. Muito mais do que o resultado financeiro é contribuir com as empresas e os trabalhadores”.

Pensamento no futuro

O presidente da Abrafarma destacou que nos próximos anos espera mais evoluções das farmácias em sua capacidade de atendimento e mix de oferta em loja. Soluções em autocuidado, vacinas, testes rápidos e telesaúde são alguns dos serviços que as farmácias querem receber permissão da regulação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para oferecer nas unidades.

Ainda de acordo com os dados apresentados pela Abrafarma, a margem de lucro média das unidades é de crescimento de 2% ao ano. Para 2021, a expectativa é de abertura de mil novas lojas no Brasil.

Para este ano, a Abrafarma lança o movimento “Movidos pela Saúde”, para levar a farmácia a outro patamar e, segundo o representante setorial, aproveitar para falar da importância da saúde no longo prazo, cuidados preventivos, mesmo em meio à pandemia, período em que infelizmente muitas vidas se perderam repentinamente.

A evolução dos serviços nas farmácias

A apresentação de 30 anos de trabalho da Abrafarma destacou momentos importantes, como a introdução dos genéricos, em 1999, com apoio da entidade. Outro salto de patamar, em 2003, com a série de Missões Técnicas Internacionais (MTI), que possibilitou inovações vindas do Exterior.

Em 2005, o início de campanha para queda dos impostos, pois 36% a cada R$ 100 em remédios é composto por tributos. Em 2006, foi criado o Farmácia Popular (“infelizmente muito mal cuidado atualmente”, lamenta o presidente da Abrafarma). Em 2014, foi aprovado pelo STF a permição para que farmácias pudessem ter um mix de produtos maior. Já em 2019, permissão da Anvisa para que farmácias pudessem aplicar vacinas. São mais de mil clínicas de vacina e 8 mil farmácias. Em 2020, tivemos a permissão de realizar testes rápidos e queremos ajudar o Governo na aplicação das vacinas. “Nos Estados Unidos, o local que mais realiza vacinas por ano são as farmácias”, ressalta Sergio.

Nos modelos de farmácias atuais, os farmacêuticos e atendentes não ficam mais atrás de balcão. O atendimento ocorre de forma mais livre e próxima e os remédios ficam no andar superior. Existem as lojas com drive-thru, espaços de saúde, beleza e bem estar, com introdução de novos serviços, uso de marcas próprias, lojas maiores e mais bem localizadas. “Um sonho do empreendedor de ter lojas onde o cliente encontre mais do que um produto, mas que possa encontrar diversas soluções”, complementa o presidente da entidade. “Não ficamos para trás de nenhum lugar do mundo, pelo contrário”.

Fonte: Por Samuel Pimentel, Jornal O Povo – CE.