Simony Braga. FOTO: DIVULGAÇÃO

É inegável: o olhar empresarial para “dentro de casa” já não guarda relação com a postura adotada no último meio século. Nessa virada de chave, empresas entenderam que o papel de mera cumpridora de leis não é o suficiente no ambiente de negócios.

A adoção de políticas sustentáveis, a preservação do meio ambiente de trabalho e a isonomia de oportunidades são pautas que passam a integrar as agendas dos CEOs e Conselhos de Administração, como temas efetivamente garantidores da sustentabilidade e perpetuidade do negócio, para além dos interesses do marketing positivo.

Essa preocupação empresarial, que transcende os limites superficiais do posicionamento de “tendência”, teve o seu gatilho no protagonismo do Environmental, Social and Governance – ESG, metodologia indicada no relatório Who Cares Win 2004, da Organização das Nações Unidas.

são punidos disciplinarmente ou, a depender da gravidade envolvida, dispensados por adotarem condutas não aderentes às políticas defendidas pelas empresas, a exemplo das rescisões contratuais de empregados que manifestam posições machistas, misóginas e/ou homofóbicas em redes sociais.

Há de se registrar, contudo, que a isonomia de oportunidades não é um tema novo; a Constituição brasileira, desde 1988, garante explicitamente esse direito. O ESG, portanto, reforça o coro de que são inoportunas as condutas que não respeitam esse princípio constitucional, devendo as empresas possibilitarem oportunidades de forma igualitária.

A concessão do “selo de confiável e responsável” pelo ESG não garante, contudo, a permanência desse status, devendo as empresas aderentes à metodologia manterem-se guardiãs do cumprimento das iniciativas e de sua constância no curso do tempo, afinal, a “mão invisível do mercado” seleciona aqueles que se destacam pela boa reputação e credibilidade. Recentemente, a mídia noticiou casos de grandes empresas que foram sumariamente abaladas por atos de racimo cometidos por colaboradores.

Sob essa nova ótica, é fundamental que as empresas, e suas lideranças, sejam indutoras de iniciativas inclusivas que visem promover a sustentabilidade, a isonomia de oportunidades e o equilíbrio nas relações de trabalho, através da conscientização de seu time mediante a boa comunicação, a exemplo da constituição de Comitês e Fóruns internos que se debrucem sobre os temas mencionados, com o propósito de tornar o ambiente laboral mais diverso, humanizado e isonômico.

Fonte: Por Simony Braga, Estadão.

*Simony Braga é pós-graduada pela Universidad de Castilla-La Mancha (UCLM), na Espanha, e pela Escola Superior da Magistratura Trabalhista, em Pernambuco (ESMAPE). Advogada. Sócia Titular do escritório Da Fonte Advogados. Membro da Comissão de Estudos Jurídicos e do Conselho Fiscal da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Coordenadora do Núcleo de Compliance da Escola Superior da Advocacia, em Pernambuco. Membro ONU Mulheres. Palestrante e autora de trabalhos jurídicos com ênfase em Direito e Processo do Trabalho