As empresas que não se venderem como responsáveis com questões ambientais, sociais e de governança (ESG) vão “pagar um preço por isso”

O advogado Otavio Yazbek, ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da BM&F Bovespa, disse hoje que as empresas que não se venderem como responsáveis com questões ambientais, sociais e de governança (ESG) vão “pagar um preço por isso”. Esse comprometimento, no entanto, deve ser real e coerente com as práticas das companhias, diz ele. “Não podemos ficar presos só na beleza do discurso”, afirmou Yazbek durante a Live do Valor.

“O ESG não deve ser uma prática totalmente desvinculada do posicionamento da empresa. “Se isso acontecer, eu vou ter um administrador hoje que adota porque gosta do tema, mas amanhã ter outro que desencane dessas práticas”, disse.

Para o advogado, o compromisso com a agenda ESG não deve ser visto como algo oposto à busca da maximização do retorno aos acionistas. “Hoje, esse tipo de posicionamento é necessário para a empresa se colocar num mercado global em que essas coisas são cobradas, em que investidores institucionais começam a cobrar.”

Essa cobrança, segundo ele, vem mais de investidores estrangeiros do que dos locais. “Honestamente, ainda preciso esperar um pouquinho pra ver o compromisso dos gestores brasileiros que estão declarando compromisso com essas práticas. O risco é que a discussão seja apenas uma moda”, afirmou.

Falando sobre a evolução da governança, Yazbek chamou a atenção para a importância da diversidade nos conselhos de administração. Ele disse que antigamente era cético sobre os efeitos da diversidade, mas que atuando como advogado em conselhos, viu que ela é capaz de quebrar padrões de comportamento criados dentro dos colegiados e influenciar em um melhor acompanhamento de temas importantes para as companhias. “Temos que pensar criticamente em qual é a composição adequada dos conselhos e o que as empresas esperam deles”, disse.