Além de cena política brasileira, investidores estão atentos à fala do presidente do BC americano

O mercado de câmbio continua a retirar risco do preço do dólar no Brasil nesta quinta-feira, ajudado pelo alívio com a PEC emergencial, cuja aprovação em segundo turno no Senado acabou de ocorrer. Por volta das 14h, a moeda americana cedia 1,76% no Brasil, a R$ 5,5661, após tocar R$ 5,55506.

O desempenho mantém o real como a moeda de melhor desempenho da sessão. No horário acima, o dólar caía 0,61% contra o peso mexicano, 0,74% frente ao peso colombiano e 0,39% na comparação com o rublo russo.

Além do alívio com o fim das especulações sobre a exclusão do Bolsa Família do guarda-chuva do teto, os agentes digerem ainda a aprovação – sem fatiamento – da PEC por ampla margem, 62 votos a 14 votos no segundo turno. O texto – que precisa ser encaminhado logo para que o pagamento do auxílio possa ter início ainda este mês -, segue agora para a Câmara, onde também deve ter votação expressa.

“O fato de terem sido evitados os piores cenários deve trazer uma melhora no humor dos mercados no curto prazo, ainda que o texto não seja uma bala de prata”, observam analistas do Citi. Entre os fatores que podem manter a cautela em alta , está a pandemia da covid-19 no Brasil, que está em seu pior momento desde o início da crise, em março do ano passado.

Em meio às preocupações sobre a dinâmica fiscal recente, o spread do contrato de 5 anos do Credit Default Swap (CDS) do Brasil, uma proxy do risco-país, chegou a subir acima dos 200 pontos no pregão de ontem. Esta manhã, no entanto, já operava em 193 pontos, segundo dados compilados pela Markit.

Lá fora, o ambiente também apoia a tomada de risco, com os rendimentos dos Treasuries operando de lado antes do discurso do presidente do Federal, Reserve, Jerome Powell. Após os eventos recentes das últimas semanas, é esperado que o dirigente comente a pressão sobre o mercado de títulos americanos, que anda tirando o sono de investidores e limitando a tomada de risco global.

Fonte: Valor Econômico – Por Marcelo Osakabe