Maior diluição de despesas comerciais, gerais e administrativas compensou aumento de custos

A Direcional Engenharia conseguiu manter suas margens, no primeiro trimestre, mesmo em um cenário de forte pressão de custos com materiais de construção. Isso foi possível, segundo o presidente, Ricardo Ribeiro, pela maior diluição de despesas comerciais, gerais e administrativas em relação à receita.

Provisões para variações do Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) também contribuíram para a estabilidade das margens e possibilitaram que não fosse necessário rever orçamentos. Daqui para frente, afirma Ribeiro, a continuidade dos aumentos de custos poderá resultar em “pequena compressão da margem bruta”.

De janeiro a março, o lucro líquido da Direcional cresceu 170%, para R$ 27 milhões. Como reflexo de vendas recordes, a receita líquida aumentou 42%, para R$ 414 milhões. A relação entre despesas gerais e administrativas e receita bruta caiu de 9,9% para 6,9%. Já as despesas comerciais corresponderam a 10,1% da receita bruta, ante 11,7% no mesmo período do ano passado. A queda dos distratos e os ganhos com atendimento online aos clientes permitiram a diminuição das despesas comerciais.

A companhia obteve margem bruta ajustada de 36%, com alta de 0,5 ponto percentual ante o primeiro trimestre de 2020.

A Direcional atua, principalmente, na produção de imóveis para o programa habitacional Casa Verde e Amarela, mas a Riva – subsidiária com atuação nos padrões médio e médio-alto – tem ganhado participação nos negócios da incorporadora. “Na Riva, os incrementos de preços não têm tanto impacto na velocidade de vendas das unidades”, diz Gontijo.

O presidente da Direcional ressalta também que a companhia tem conseguido gerar caixa mesmo crescendo. No primeiro trimestre, a geração de caixa somou R$ 15 milhões. A companhia vai pagar dividendos extraordinários de R$ 100 milhões aos acionistas. “Somando-se esse valor com os R$ 120 milhões pagos em outubro, os dividendos chegam a R$ 220 milhões em sete meses. Além disso, fizemos recompra de R$ 51 milhões em ações”, conta o presidente.

A Mitre Realty também divulgou seu balanço do primeiro trimestre. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 11,7 milhões, com expansão de 82,2% ante a perda do mesmo período de 2020. A piora do resultado foi consequência de impacto negativo não recorrente de operação de “swap”, semelhante à compra de ações, por um preço inferior à marcação feita em dezembro, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Rodrigo Cagali.

“Se excluirmos esse efeito não recorrente, teríamos entregado resultado neutro”, diz Cagali.

A receita líquida cresceu 77,2%, para R$ 85 milhões. A margem bruta aumentou de 28,9% para 32,2%. As altas de custos de materiais levaram a Mitre a revisar seus orçamentos de obras. Sem informar qual o impacto nos resultados, o executivo informou que a companhia não espera novas revisões.

Em março, a Mitre optou por pré-lançar um projeto imobiliário, em São Paulo, oferecendo unidades apenas para clientes que já tinham pré-cadastro para compra. O lançamento oficial será feito neste mês.

Fonte: Por Chiara Quintão — De São Paulo.