Já imunizados, americanos trocam o bem-estar do isolamento pelos cuidados com o corpo e higiene pessoal

Os americanos estão caprichando mais na higienização. Com a vacinação avançando e as restrições às interações humanas diminuindo, os carrinhos dos supermercados estão cheios de itens criados para facilitar o retorno das pessoas à civilização, tomando espaço que vinha sendo ocupado por rolos de papel higiênico e farinha de panificação.

Desodorantes, branqueadores de dentes e preservativos estão em alta demanda. As vendas de perfumes, esmaltes, trajes de banho, protetores solares, smokings, malas e despertadores estão aumentando rapidamente, segundo empresas que fabricam esses produtos e grandes grupos varejistas.

Quando o prefeito de Washington anunciou que bares e casas noturnas reabrirão totalmente em junho, Landen Lama, um consultor político de 25 anos pensou: “Tenho um mês para me aprontar”. Ele encomendou pela internet um gel branqueador de dentes, vem usando mais máscaras de tratamento facial e se bronzeando ao ar livre.

O aumento das vendas de produtos de beleza e malas de viagem é menor que a onda de vendas de higienizadores de mãos e desinfetantes provocada pela pandemia. No ano passado, as vendas de algumas marcas dobraram ou triplicaram, depois que os americanos se recolheram aos seus lares e reforçaram suas rotinas de limpeza. Em alguns casos, as prateleiras dos supermercados ficaram vazias desses itens por semanas. Felizmente, há uma ampla oferta de desodorantes e antissépticos bucais.

Produtos de beleza de branqueadores de dentes foram grandes sucessos de vendas no trimestre mais recente no Walmart, segundo disse em uma entrevista o diretor financeiro Brett Biggs. “Dá para dizer que as máscaras estão caindo”, afirmou ele.

As vendas de despertadores dobraram em abril em comparação ao mesmo mês do ano passado no maior grupo varejista do país, segundo informou uma porta-voz, enquanto as vendas de malas para viagens subiram 400%. As vendas de artigos para festas mais que dobraram e as vendas de balões subiram 50%, segundo ela.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos diz que as pessoas vacinadas não precisam mais usar máscaras ou manter distância física na maior parte das situações, dentro ou fora de quatro paredes.

Após ser vacinada neste mês, Jen Richards, 34, foi pela primeira vez a um cabeleireiro desde fevereiro de 2020. Richards, uma desenvolvedora de aplicativos, manteve-se cautelosa durante a pandemia, comprando produtos de supermercado apenas pela internet e se encontrando apenas com sua namorada.

Agora ela planeja fazer uma festa de aniversário a portas fechadas com outros amigos que já foram vacinados, voltou a comer em áreas externas de restaurantes e está cuidando de novo da aparência.

“Eu literalmente agendei meu cabeleireiro para o dia depois que consegui a imunidade total. Acho que posso precisar de algumas roupas novas porque tudo o que fiz no último ano foi usar moletons.”

Na semana passada, uma série de varejistas como Macy’s e Target Corp divulgaram vendas vigorosas para a atual primavera americana, observando que roupas e produtos de beleza e viagens estão vendendo bem.

“O primeiro trimestre pareceu um primeiro passo em direção a um mundo pós-pandemia”, diz Brian Cornell, diretor-presidente da Target. As vendas de roupas aumentaram 60% no trimestre em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo informou a companhia. Há uma forte demanda por vestidos, cosméticos, protetores solares, artigos esportivos e roupas atléticas, segundo informou um porta-voz da Target.

Aparência versus bem-estar

Na pandemia, os cuidados com a aparência deram lugar a rituais de bem-estar e distantes daqueles que visam melhor a aparência, diz Eric O’Toole, presidente da Edgewell Personal Care da América do Norte, com marcas como as lâminas Schick e os bronzeadores Banana Boat. As mulheres investiram em produtos de cuidados com a pele e de spa, para uso em casa. Os homens compraram produtos para reduzir as irritações provocadas pelas suas novas barbas.

Mas agora homens e mulheres estão limpando o rosto, depilando as pernas e gastando mais em produtos para os cabelos. “Cuidar de si mesmo passou a ser um exercício pessoal e até mesmo introspectivo, enquanto outras áreas relacionadas mais ao ato de se apresentar para outras pessoas passaram a ter uma importância menor”, diz O’Toole. “Isso está começando a mudar.”

Noel Kittredge, um estudante de 32 anos de Albuquerque, Novo México, recentemente fez a barba pela primeira vez em um ano. Ele se arriscou a sair de casa poucas vezes desde que a pandemia começou e sentia-se particularmente nervoso perto de outras pessoas depois que sua mãe e avó contraíram a covid-19.

Kittredge não fazia a abarba regularmente antes da pandemia, mas como está fazendo planos de socializar, achou que era hora de fazer isso. “Estou cansado de ficar confinado”, diz ele.

Enquanto isso, nas últimas semanas caíram as vendas de produtos de panificação, artigos de limpeza e artigos de papel e plástico, todos eles favoritos no começo da pandemia, segundo apontam dados da NielsenIQ. As vendas nos EUA de produtos de papel e plástico, que incluem itens como papel higiênico, caíram 18,3% em quatro semanas até 1º de maio, comparado ao mesmo período do ano passado. As vendas de produtos de panificação recuaram 35,6%.

A Church & Dwight Co. disse em uma conferência telefônica com analistas, no mês passado, que está contando com vendas maiores de preservativos, xampus secos e produtos de higiene feminina.

Os consumidores também estão comprando produtos de higiene mais sofisticados, em parte porque muitos americanos tiveram um aumento da renda disponível na pandemia, segundo afirmam executivos.

As vendas de produtos de saúde sexual, que incluem os preservativos, aumentaram 32% na semana encerrada em 1º de maio, comparado ao mesmo período do ano passado, ainda segundo a NielsenIQ.

“Eles realmente estão se mimando”, diz Vineet Kumar, diretor-presidente da Native Desodorant, uma marca de desodorantes e sabonetes controlada pela Procter & Gamble. “Eles estão dizendo: ‘Estou me preparando para sair e preciso começar a investir em mim mesmo (a).”

Fonte: Valor Econômico

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