Even e Tecnisa também estão avaliando o impacto das restrições imposta pelo combate à covid-19 para definir os próximos empreendimentos

A Cyrela vai suspender lançamentos, temporariamente, neste momento de crise sanitária mais acentuada decorrente da pandemia de covid-19. Ainda assim, as metas do Valor Geral de Vendas (VGV) a ser lançado e comercializado, em 2021, estão mantidas, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Miguel Mickelberg. Em teleconferência com jornalistas, ele informou que as vendas de janeiro e fevereiro foram muito boas. “Com as restrições, as vendas vão sofrer mais em março”, disse.

Os estandes de venda estão fechados, nesta fase de restrições de circulação, na cidade de São Paulo, maior mercado imobiliário do país. “Nosso negócio é muito ‘off-line’. O cliente gosta de visitar o apartamento decorado”, afirma Mickelberg.

Alta nos custos dos materiais de construção vão afetar as margens da marca Vivaz, que atua na baixa renda

A Even Construtora e Incorporadora está avaliando o cenário das próximas semanas e, na expectativa do presidente, Leandro Melnick, “a janela de paralisação” das atividades dos estandes não deverá ser longa. A companhia vai lançar, neste ano, o mesmo volume de 2020 ou total um pouco superior. “Vamos lançar o máximo que não prejudique a subida do ROE [retorno sobre patrimônio]”, diz Melnick.

Em relação às vendas de imóveis da Even neste início de ano, o presidente diz que estão, “ligeiramente”, acima do esperado.

A Tecnisa tem um lançamento previsto para abril. O mais provável, de acordo com Joseph Nigri, presidente, é que a apresentação do projeto ao mercado ocorra apenas após a permissão para a reabertura dos estandes, mas o trabalho de pré-vendas já foi iniciado. Por enquanto, a companhia está mantendo sua meta de lançar entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão no biênio 2020-2021. Considerando-se o ponto mínimo, os lançamentos já realizados correspondem a 23%.

Ontem, as três incorporadoras divulgaram balanços do quarto trimestre do ano passado.

No trimestre, o lucro líquido da Cyrela cresceu 75,1%, na comparação anual, para R$ 261 milhões. A receita líquida aumentou 12,9%, para R$ 1,057 bilhão. A margem bruta passou de 29,8% para 31,8%. A companhia divulgou bases de comparação pro forma, pois as informações das joint ventures Lavvi e Plano&Plano – cujas ofertas iniciais de ações (IPOs) foram realizadas no terceiro trimestre de 2020 – passaram a ser contabilizados por equivalência operacional.

Em relação às pressões de custos de materiais, Mickelberg afirmou que a Cyrela tem conseguido repassar os aumentos para os preços dos produtos destinados às rendas média e alta. Nos produtos enquadrados no programa Casa Verde e Amarela, porém, isso não é possível, pois os repasses dos recebíveis dos clientes para os bancos são feitos logo após as vendas. De acordo com o executivo, a expectativa é de margens mais pressionadas da Vivaz, marca pela qual a incorporadora atua no programa.

A Even reverteu o lucro líquido de R$ 30,577 milhões do quarto trimestre de 2019 e teve prejuízo de R$ 89,27 milhões de outubro a dezembro do ano passado. O fechamento da operação do Rio de Janeiro explica o prejuízo. A Even vendeu à vista, com desconto, a um fundo imobiliário da XP, estoque pronto por R$ 238 milhões. Além disso, fez baixa contábil de dois terrenos também localizados no Rio, segundo o presidente.

A receita líquida da Even caiu 5,1%, para R$ 455,03 milhões. A margem bruta cresceu de 23,8% para 34,6%. “É natural que haja crescimento da margem bruta, considerando-se a redução do estoque pronto e maior apropriação dos novos projetos”, diz o diretor financeiro e de relações com investidores, Carlos Wollenweber.

A Even concluiu o primeiro ciclo de cinco anos da nova gestão, segundo Melnick. “O objetivo do planejamento estratégico feito no fim de 2015 foi reestruturar a companhia para um ciclo de crescimento e para ser extremamente rentável”, diz o presidente.

A Tecnisa reduziu seu prejuízo em 48,5%, no quarto trimestre de 2020, na comparação anual, para R$ 30,7 milhões. A receita caiu 70%, para R$ 37,2 milhões. A margem bruta ficou negativa em 3,4%, no intervalo de outubro a dezembro, ante o indicador positivo de 2,5% no quarto trimestre de 2019.

O pequeno volume de lançamentos dos últimos anos prejudicou a diluição de custos. À medida que a companhia lançar os projetos da nova safra e iniciar obras, o lucro bruto tende a melhorar, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Flávio Vidigal de Capua.

O VGV lançado pela Tecnisa cresceu 15,8 vezes no quarto trimestre do ano passado, ante o mesmo período de 2019, para R$ 264 milhões. A Tecnisa foi minoritária nos lançamentos feitos em 2019 e no primeiro semestre do ano passado. A maior parte da nova leva de projetos, iniciada na segunda metade de 2020, é 100% da companhia. Em parcela menor dos empreendimentos, a Tecnisa poderá ter participação de 70%.

Fonte: Valor Econômico – Por Chiara Quintão

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