Valor da aquisição supera os R$ 150 milhões captados pela JFL GP, no fim do ano passado, por meio de fundo de investimento imobiliário

A Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG) comprou participação de 40% em dois projetos da JFL GP — o JML e JFL Faria Lima— na capital paulista. A gestora de ativos que tem como acionistas a JFL Realty e o empresário Marcel Telles vendeu parte dos dois empreendimentos por R$ 160 milhões. Os recursos serão destinados a pré-pagamento de dívidas e a investimentos. Jorge Felipe Lemann — filho de Jorge Paulo Lemann — e Carolina Burg Terpins são sócios da JFL Realty.

O valor da aquisição supera os R$ 150 milhões captados pela JFL GP, no fim do ano passado, por meio de fundo de investimento imobiliário (FII). “A operação com a CSHG chancela que estamos no caminho certo e demonstra que temos ativos e gestão de qualidade”, afirma Carolina.

A JFL Realty desenvolve empreendimentos residenciais para locação em bairros nobres das zonas Sul e Oeste da cidade de São Paulo. Há 234 apartamentos próprios em operação, e a projeção é que o número de unidades chegue a 1.155, em 2023, considerando-se os ativos em desenvolvimento. A JFL GP opera também apartamentos de terceiros nos prédios que controla.

“Continuamos avaliando potenciais aquisições de terrenos, projetos e prédios prontos”, conta a empresária. O mercado de locação residencial tem chamado a atenção de incorporadoras e investidores institucionais. No segmento de alto padrão, principal atuação da JFL Realty, a incorporadora Idea!Zarvos passou a atuar com a marca Paulistano recentemente. Já a Luggo, plataforma de locação da MRV&Co, tem foco na média renda.

“Continuamos avaliando potenciais aquisições de terrenos, projetos e prédios prontos”, diz Carolina Burg Terpins — Foto: Claudio Belli/Valor

Tradicionalmente, o mercado de aluguel residencial é bastante pulverizado no Brasil.

A CSHG vai direcionar a participação de ativos adquirida da JFL GP para um produto financeiro a ser criado. A gestão operacional do JML e do JFL Faria Lima continuará com a JFL GP. Segundo Carolina, outras vendas de participações de projetos que ainda não estejam em operação poderão vir a ser fechadas com a CSHG ou outro potencial comprador.

Há dois empreendimentos da JFL gerando receita — VHouse e o VO699. Para o fundo imobiliário, a gestora destinou 75% do VHouse e 7,5% do VO699. Futuramente, parcelas de novos empreendimentos com operação estabilizada poderão ser destinadas ao FII. As proprietárias do JML e do JFL Faria Lima, por exemplo, terão opção de vender ao fundo imobiliário fatias dos ativos quando estiverem gerando receita. A executiva ressalta que nova captação por esse instrumento financeiro só ocorrerá em condições favoráveis de mercado.

As locações das 101 unidades próprias do empreendimento JML, localizado na avenida 9 de julho com a rua José Maria Lisboa, nos Jardins, começarão até agosto. Já o aluguel das 160 unidades do projeto da avenida Faria Lima nas proximidades da Rebouças terá início no primeiro trimestre de 2022.

Em dezembro, imóveis do empreendimento desenvolvido em terreno no Carrefour, na Marginal Pinheiros, começarão a ser locados. No começo do próximo ano, será a vez do Casa dos Ipês, localizado perto do Parque Ibirapuera. No segundo trimestre de 2022, o projeto da alameda Lorena — desenvolvido em terreno da Tecnisa, ao lado de prédio residencial da incorporadora — ficará pronto. Para 2023, estão previsto início do aluguel das unidades de empreendimento no terreno do shopping JK Iguatemi.

Em relação ao fim da isenção da tributação de Imposto de Renda para pessoas físicas nos fundos imobiliários prevista na proposta de mudança de regras, a empresária avalia que “os fundos podem sofrer se esse ponto for aprovado”. “A isenção foi importante para desenvolver o segmento”, afirma Carolina, destacando que considera importante a reforma tributária.

Fonte: Por Chiara Quintão, Valor — São Paulo.