BC indicou que pretende subir os juros em 0,75 ponto percentual em maio, mas alertou que pode mudar de ideia caso ocorram mudanças significativas nas projeções de inflação ou no balanço de riscos

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou ontem a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, de 2% para 2,75%, o primeiro aumento na Selic desde julho de 2015. Com a decisão, a autoridade monetária deu a largada com força na retirada dos estímulos monetários adotados durante a pandemia. Já indicou, também, que fará outro aumento, da mesma magnitude, na próxima reunião, mas procurou conter o apetite do mercado financeiro por mais juros, limitando, por ora, o ciclo total de aperto a uma Selic de 4,5% até o fim do ano.

Na primeira reunião desde que ganhou independência formal em lei, o Banco Central deixou de fora das justificativas de sua decisão o acirramento dos riscos fiscais e políticos nas últimas semanas. A ação foi tomada, de acordo com o comunicado do Copom, para reduzir o risco de estouro do teto da meta de inflação deste ano, de 5,25%, e garantir a ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo. As ameaças à atividade econômica provocadas pela piora da pandemia de covid-19 não foram consideradas fortes o suficiente para demover o BC dessa ação.

O colegiado também deixou em segundo plano a decisão do Federal Reserve (Fed), que, em reunião ontem, renovou a promessa de manter os estímulos monetários extraordinários, mesmo com a revisão de 4,2% para 6,5% em sua expectativa para a expansão da economia neste ano. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que quer ver progressos na busca do pleno emprego e da meta de inflação. Foi um alívio para os ativos de maior risco.

O BC no Brasil indicou que pretende subir os juros em 0,75 ponto percentual em maio, mas deixou portas abertas para desistir, alertando que pode mudar de ideia se ocorrerem mudanças significativas nas projeções de inflação ou no balanço de riscos. Para Braulio Borges, do Ibre/FGV, o BC está reagindo mais à forte desvalorização do real do que à alta da inflação.

Fonte: Valor Econômico – Por Alex Ribeiro e Estevão Taiar

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