Algumas temem que participação em movimento pode representar fim do diálogo em áreas estratégicas no governo

Fernanda Brigatti

As entidades da construção civil e da incorporação imobiliária foram convidadas a participar do manifesto que pede a harmonia dos Poderes, mas ficaram divididas. Muitos dirigentes optaram por posturas mais discretas e rejeitaram o convite feito pela Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo). Outras ainda avaliam se vão aderir.

A Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) avisou publicamente que não vai assinar. A Abrainc, associação que reúne as 20 maiores incorporadoras do país, prefere nem falar sobre o tema.

Segundo um executivo do setor, que pediu para não ter o nome revelado, nos grupos de mensagens de empresários, apenas de 10% a 15% dos participantes estariam entusiasmados com a possibilidade de aderir a esse tipo de publicação.

Folha apurou que mesmo lideranças que já assumiram posicionamentos críticos ao governo Jair Bolsonaro definirão que não assinarão o manifesto para evitar fechar portas no governo.

O anúncio de que Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil deixariam a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) acendeu um alerta para as entidades. O sinal foi o de que participar de qualquer movimento, mesmo de caráter brando, poderia representar o fim do diálogo com ministros e secretários de pastas estratégicas para o setor.

José Carlos Martins, da Cbic, esteve com o ministro Paulo Guedes, da Economia, há alguns dias, com quem reforçou os pleitos do setor para reduzir o imposto de importação do aço para construção e a redução das barreiras técnicas por um ano.

Empreendimento na Rua Cristiano Viana, esquina com Av. Rebouças
Empreendimento na Rua Cristiano Viana, esquina com Av. Rebouças Gabriel Cabral/Folhapress
Empreendimentos no quarteirão entre as ruas Cristiano Viana (acima), Arthur de Azevedo (direita), Av. Rebouças (esquerda) e Alves Guimarães (abaixo)
Empreendimento no quarteirão entre as ruas Cristiano Viana (acima), Arthur de Azevedo (direita), Av. Rebouças (esquerda) e Alves Guimarães (abaixo) Gabriel Cabral/Folhapress
Empreendimento no quarteirão entre as ruas Arthur de Azevedo (acima), Cristiano Viana (esquerda), Alves Guimarães (direita)
Empreendimento no quarteirão entre as ruas Arthur de Azevedo (acima), Cristiano Viana (esquerda), Alves Guimarães (direita) Gabriel Cabral/Folhapress
Empreendimentos no quarteirão entre as ruas Cristiano Viana (acima), Arthur de Azevedo (direita), Alves Guimarães (centro) e  Capote Valente (abaixo)
Empreendimento no quarteirão entre as ruas Cristiano Viana (acima), Arthur de Azevedo (direita), Alves Guimarães (centro) e Capote Valente (abaixo) Gabriel Cabral/Folhapress
Empreendimento no quarteirão da Av. Rebouças, esquina com a Rua Dante Carraro
Empreendimento no quarteirão da Av. Rebouças, esquina com a Dante Carraro Gabriel Cabral/Folhapress
Empreendimento na Rua Cristiano Viana, esquina com Av. Rebouças
Empreendimento na Rua Cristiano Viana, esquina com Av. Rebouças Gabriel Cabral/Folhapress
Empreendimento no quarteirão da Av. Rebouças, esquina com a Av. Pedroso de Morais
Empreendimento no quarteirão da Av. Rebouças com a Av. Pedroso de Morais Gabriel Cabral/Folhapress
Empreendimento no quarteirão da Av. Rebouças, esquina com a Rua Dante Carraro
Empreendimento no quarteirão da Av. Rebouças, esquina com a Rua Dante Carraro Gabriel Cabral/Folhapress
Empreendimentos no quarteirão entre as ruas Cristiano Viana (acima), Arthur de Azevedo (direita) e Av. Rebouças (esquerda), Alves Guimarães (centro) e Capote Valente (abaixo)
Empreendimento no quarteirão entre as ruas Cristiano Viana (acima), Arthur de Azevedo (direita) e Av. Rebouças (esquerda), Alves Guimarães (centro) e Capote Valente (abaixo) Gabriel Cabral/Folhapress

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e o secretário Nacional de Habitação, Alfredo dos Santos, participaram de uma reunião com as incorporadoras ligadas à Abrainc.

Martins, da Cbic, diz não ver motivos para a adesão ao manifesto. Na avaliação dele, não há “mínima chance” de ruptura institucional. “Nosso setor trabalha olhando para o médio e longo prazo, e nunca estivemos tão fortes. Ninguém está nem aí para isso, as empresas estão lançando mais. Ninguém é louco de achar que alguma ruptura pode acontecer.”

No sábado (28), em mais uma série de afirmações vistas como golpistas, Bolsonaro disse que “não deseja provar rupturas, mas tudo tem um limite”. Durante culto da igreja Assembleia de Deus, projetou três cenários para o futuro: “Estar preso, ser morto ou a vitória”.

Para Martins, as afirmações são bravatas. “Se ele tensionar, não vai acontecer nada. Ele fala esse tipo de coisa para os 20% do eleitorado dele”, diz o presidente da Cbic.

“Ele fala isso e, no entanto, democraticamente pediu o impeachment do [ministro do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes. [O presidente do Senado, Rodrigo] Pacheco [DEM-MG] negou e o que aconteceu? Nada, é da democracia”, afirma. “Claro que a gente tem que ficar atento, mas não vai dar em nada.”

Outro dirigente ouvido pela Folha diz que as demandas do setor imobiliário são levadas diretamente para o governo de “maneira construtiva”. Por isso, não haveria por que levar para a imprensa uma discussão que pode ser feita de modo privado, ainda que as volatilidades sejam vistas como desfavoráveis para o segmento.

Segundo a Folha apurou, entidades optaram também por não criticar a publicação do documento encabeçado pela Fiesp, como meio de não se indispor com os associados, uma vez que muitos estão descontentes com as políticas do governo para o setor.

O programa que sucedeu o Minha Casa, Minha Vida, batizado de Casa Verde e Amarela, está praticamente parado. Mais de 90% do orçamento previsto para os subsídios foi vetado por Bolsonaro. De R$ 2,1 bilhões previstos inicialmente, R$ 2 bilhões foram cortados para que o governo viabilizasse a aprovação da lei orçamentária deste ano.

Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operários de construção civil trabalham em uma obra próxima ao metrô Sumaré, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham em uma obra próxima ao metrô Sumaré, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operário de construção civil observa os óculos na obra de fundação para erguer um prédio residencial de 28 andares da construtora Grupo Kallas, no bairro Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operário de construção civil observa os óculos na obra de fundação para erguer um prédio residencial de 28 andares da construtora Grupo Kallas, no bairro Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; de  máscara, o operário de construção civil Nilton Lima da Costa,40, usa martelete na obra de fundação para erguer um prédio residencial de 28 andares da construtora Grupo Kallas, no bairro Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, de máscara, o operário de construção civil Nilton Lima da Costa, 40, usa martelete na obra de fundação para erguer um prédio residencial de 28 andares da construtora Grupo Kallas, no bairro Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando máscara, o operário de construção civil Raimundo José Rosa, carrega material em uma obra de fundação para erguer um prédio residencial de 28 andares na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, de máscara, o operário de construção civil Raimundo José Rosa, carrega em uma obra de fundação para erguer um prédio residencial de 28 andares da construtora Grupo Kallas, no bairro Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operário de construção civil trabalha na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operários de construção civil trabalham em uma obra, em uma rua próxima ao metrô Sumaré, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham, em uma obra, em uma rua próxima ao metrô Sumaré, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operários de construção civil trabalham em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham, em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; aviso no chão de um espaço para procedimentos de higiene avisa funcionários para manterem distância
Obras continuam durante período de quarentena, aviso no chão de um espaço para procedimentos de higiene avisa funcionários para manterem distância Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, o operário Reginaldo Vasconcelos, 47, trabalha com uma lixadeira em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, de máscara, o operário de construção civil Reginaldo Vasconcelos, 47, trabalha com uma lixadeira em uma obra no bairro Cidade Ademar em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, o operário Reginaldo Vasconcelos, 47, trabalha com uma lixadeira em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, de máscara, o operário de construção civil Reginaldo Vasconcelos, 47, trabalha com uma lixadeira em uma obra no bairro Cidade Ademar em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, o operário Reginaldo Vasconcelos, 47, trabalha com uma lixadeira em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, de máscara, o operário de construção civil Reginaldo Vasconcelos, 47, trabalha com uma lixadeira em uma obra no bairro Cidade Ademar em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operário de construção civil puxa camisa sobre a cabeça durante trabalho em obra de fundação para erguer um edifício residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, de máscara, o operário de construção civil puxa camisa sobre a cabeça durante o trabalho em uma obra de fundação para erguer um edifício residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; usando  máscara, operário de construção civil trabalha na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil trabalham na obra de fundação para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; operários de construção civil almoçam respeitando a distância recomendada em refeitório do canteiro de obra para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo
Obras continuam durante período de quarentena, usando máscara, operários de construção civil almoçam respeitando a distância recomendada em refeitório do canteiro de obra para erguer um prédio residencial na Freguesia do Ó, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Usando  máscara e luvas de proteção, o operário Martinho Nascimento,42, borrifa uma solução com água, cloro e detergente na entrada para uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo; a operação é repetida três vezes ao longo do dia
Usando máscara e luvas de proteção, o operário Martinho Nascimento, 42, borrifa uma solução com água, cloro e detergente na entrada para uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo, a operação é repetida três vezes ao longo do dia Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; aviso para evitar aglomeração de pessoas ao utilizar o elevador em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, aviso para evitar aglomeração de pessoas ao utilizar o elevador em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress
Obras continuam mesmo durante período de quarentena; aviso para evitar aglomeração de pessoas ao utilizar o elevador em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo
Obras continuam mesmo durante período de quarentena, aviso para evitar aglomeração de pessoas ao utilizar o elevador em uma obra no bairro Cidade Ademar, em São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress

Do que sobrou para o programa de habitação, a maior parte do dinheiro já foi usado. Sem crédito suplementar, o caixa estará zerado em setembro. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Regional, há cerca de 1.600 obras em andamento. São 230 mil unidades residenciais em construção.

Em São Paulo, o Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil) marcou para a tarde desta segunda-feira (30) uma reunião para definir se assinaria ou não o manifesto. Inicialmente, os diretores concordam com o teor do documento, mas ainda estavam em dúvida quanto ao uso político do posicionamento.

Outros sindicatos e entidades do setor imobiliário ainda aguardavam a versão final do manifesto –cuja publicação havia sido suspensa pela Fiesp– para decidir. Uma preocupação de dirigentes ouvidos pela Folha é a de que o documento vire uma plataforma político-eleitoral de Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Num momento de grande expectativa quanto à viabilização de uma terceira via para as eleições de 2022, assinar um documento encabeçado por uma liderança com pretensões eleitorais deixou empresários desconfortáveis.