Eles foram apontados por pequenos fornecedores que participam de uma plataforma que conecta essas empresas a redes de supermercados e de outros segmentos do varejo de alimentos

Seis varejistas se destacam pela parceria com marcas locais em levantamento da Local.e – startup criada para conectar esses fornecedores a varejos de todo o País. Na categoria supermercados, os 70 participantes do estudo reconheceram a Casa Santa Luzia como a empresa que melhor desenvolve esses produtos. Em segundo lugar, ficou o St. Marche e, em terceiro, o Natural da Terra. Já na categoria pequeno varejo, a primeira colocação do ranking coube ao Instituto Chão, seguido da Korin e do Mundo Verde.

Para Leila Okumura, co-fundadora da Local.e, o sortimento é um diferencial competitivo para essas redes, o que as torna mais abertas às inovações vindas de marcas locais. “A Casa Santa Luzia, por exemplo, é uma referência em novos produtos para outros varejistas”, comenta.

O mix também é um diferencial para o St Marche. No segmento de saudáveis, por exemplo, trabalha com o conceito de paredão, apresentando uma solução para o consumidor. A empresa também realizou no ano passado uma campanha de cadastramento de produtos de pequenos fabricantes, permitindo que muitos deles mantivessem suas vendas na pandemia.

Quem também implementou uma ação que ajudou 90 marcas locais na crise foi o Natural da Terra. Os produtos passaram a ser identificados nas lojas por meio de cartazes, utilizando a #ApoieMarcasLocais.

Entre os varejos de menor porte, o Mundo Verde é considerado uma porta de entrada para fabricantes locais. Nada menos do que 60% são de micro e pequenos portes. A empresa, aliás, tem preferido utilizar a palavra parceiro em vez de fornecedores, já que o intuito é construir relacionamento de longo prazo. “As marcas locais são importantes por agregar novidade e pioneirismo ao portfólio, entre outros benefícios”, avalia Leonardo Lima, diretor comercial & Gestão de Categoria da rede.

O que torna o varejo mais parceiro

De acordo com o levantamento da Local.e, a principal prática valorizada pelas marcas locais nos varejistas é ter condições comerciais justas, apontada por 25% dos respondentes. “De uma forma geral, os varejistas se interessam pela diferenciação que os produtos locais podem conferir ao sortimento. Mas, por questões culturais, acabam pedindo enxovais, descontos ou prazos de pagamentos fora da realidade dos pequenos fornecedores”, explica Leila.

Para mudar esse comportamento, a Local.e faz um trabalho de sensibilização junto ao varejista, que passa por uma curadoria. Consiste em ajudar o supermercado, de forma gratuita, a definir os produtos locais que fazem sentido para suas lojas e seus clientes. “Damos suporte identificando as marcas que podem performar melhor e os fornecedores que já estão prontos e contam com uma boa estrutura para abastecimento. Alguns varejistas preferem marcas que ainda não estão nas grandes redes, enquanto outros priorizam os que já estão nelas, por enxergarem capacidade de produção. Analisamos tudo isso, pois o varejo é muito bombardeado por lançamentos”, detalha a co-fundadora da startup.

Troca de informações para realizar esforços conjuntos a fim de elevar vendas também é considerado importante pelos participantes do levantamento. A prática foi apontada por 23% das marcas locais. Leila pontua que, em geral, esses fabricantes não compram informações de mercado, razão pela qual dependem que o varejo disponibilize dados sobre suas vendas. “Nem sempre o comprador tem tempo para puxar essa informação. Mas também há casos em que, novamente, existe uma questão cultural, desta vez relacionada a não compartilhar informações”, diz ela. Como consequência, o pequeno fornecedor não consegue definir ações para ajudar a loja a vender mais.

Conexão entre marcas e varejistas

Lançada em outubro de 2019, a Local.e conta com 6.500 produtos na sua base de um total de 2.500 empresas. Desde sua criação, já gerou 6.000 oportunidades comerciais conectando marcas locais ao varejo. Para Leila, são três principais vantagens que esses produtos podem agregar aos supermercados:

1 –Diferenciação do sortimento por meio de inovações, que surgem rapidamente em função da proximidade desses fabricantes com os consumidores

2 – Possibilidade de trabalhar com fornecedores que não estão em todas as lojas, gerando maior valor agregado

3 – Apoio e fomento à indústria local, que é mais flexível nas negociações e tem um grande potencial de parceria

A co-fundadora da Local.e ressalta que, em muitos casos, os produtos de fornecedores locais acabam se tornando líderes em determinadas lojas pela adesão do público. “As pessoas veem neles algo exclusivo, que só encontram naquele estabelecimento”, avalia. E isso demonstra o quanto estar aberto a algo novo pode agregar de valor ao negócio.

Fonte: SA Varejo