Estoque da modalidade ainda é de R$12,3 bilhões, mas procura tem crescido

O crédito com garantia de imóvel (CGI) – também conhecido como “home equity” – ainda é pouco comum no Brasil, mas vem tem apresentado crescimento expressivo. De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume de concessões aumentou 50,3% de janeiro a junho de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o estoque da modalidade está em R$ 12,3 bilhões, distribuídos entre cerca de 95 mil contratos.

Reformas do próprio imóvel oferecido em garantia, pagamento de dívidas com juros mais altos e investimentos em negócio próprio são algumas das principais motivações de quem recorre à linha.

Na CrediHome, fintech especializada em operações com imóveis, a busca pelo CGI cresceu mais de 1.400% no primeiro semestre em comparação com igual período de 2020. As concessões foram 200% maiores. O Santander registrou salto de 32% na carteira de home equity de janeiro a junho, e tem R$ 2,7 bilhões concedidos. O volume equivale a 25% do mercado.

Esse tipo de empréstimo é dos que têm taxas de juros mais baixas, graças à alienação fiduciária do imóvel. Há linhas a partir de 0,60% ao mês mais IPCA ou prefixadas de 0,78% ao mês. O valor máximo de concessão chega a 60% do valor do imóvel e os prazos podem alcançar 240 meses, embora os contratos tenham duração média de dez anos, segundo a Abecip.

Apesar do crescimento, a linha ainda enfrenta resistências culturais, já que muitos clientes potenciais têm medo de perder o imóvel. “Temos um enorme caminho a ser percorrido, mas há demanda”, afirmou a presidente da Abecip, Cristiane Portella, durante conferência com jornalistas.

“As mesmas pessoas que tomam financiamento imobiliário temem o home equity. Mas os dois seguem o mesmo processo de alienação fiduciária”, afirma Bruno Gama, presidente da CrediHome, adquirida nesta semana pela Loft.

Para contratar a linha, é preciso estar com o imóvel quitado. No ano passado, uma medida provisória chegou a permitir que um imóvel em financiamento pudesse ser usado como garantia no home equity, desde que tivesse parte quitada, e que as duas linhas fossem concedidas pelo mesmo banco. Porém, a MP caducou.

Para Gama, a questão regulatória pode ajudar o Brasil a atingir o potencial da modalidade, comum em mercados como Estados Unidos e Europa.

O perfil de quem busca o home equity é formado principalmente por empreendedores que buscam investir no próprio negócio ou pessoas que desejam fazer melhorias em casa. Segundo a fintech de crédito Creditas, entre os clientes de crédito com garantia de imóvel, 39% usaram o dinheiro para pagamento de dívida, 20% para empreendedorismo e 8% para reformas.

No entanto, os bancos começam a incentivar o uso da linha para reorganização financeira. “O home equity é indicado para reorganização de dívidas, incluindo aí a troca de dívidas mais pesadas, como as de cartão de crédito e o cheque especial; o investimento no próprio negócio; ou a abertura de uma nova empresa”, afirma Sandro Gamba, diretor de negócios imobiliários do Santander.

“Essa é uma modalidade que proporciona uma economia relevante aos clientes, com parcelas bem reduzidas, tendo em vista que hoje é a linha de empréstimo pessoal com as taxas mais acessíveis do mercado e prazo de pagamento que pode chegar a 15 anos”, afirma Thales Ferreira, diretor do Itaú.

Fonte: Valor Econômico