Geração Y representa metade da força produtiva no país, e tem hábitos específicos que geram valorização em determinados tipos de imóveis.

Todo mundo conhece o estereótipo do millennial: o jovem que pula de emprego em emprego, fica facilmente entediado, é visto como sensível demais e até preguiçoso. Fato é que esses clichês — além de muito questionáveis — já estão ultrapassados. O termo “millennial” refere-se à geração nascida entre os anos de 1980 e meados da década de 1990, o que significa que grande parte dessa população hoje tem entre 30 e 40 anos. No Brasil, segundo uma pesquisa do Itaú BBA, os millennials já representam 50% da força de trabalho e a tendência é que, até 2030, esse número chegue a 70%. Para o mercado imobiliário de alto padrão, a chamada Geração Y representa uma mudança brusca na forma de anunciar e vender um imóvel, e também exige das imobiliárias uma concepção diferente sobre a maneira de morar.

O que os millennials têm de tão diferente?

“Essa é uma geração que hoje já está adulta e que cresceu com a internet, e essa é a grande diferença. [Quando querem comprar um imóvel] toda a pesquisa é feita pela internet, ou seja, são clientes com muito mais acesso à informação e que cresceram mais bem informados. Geralmente, é um comprador que vem muito bem preparado e focado, sabendo exatamente o que quer”, explica Marco Túlio Vilela Lima, CEO da imobiliária Esquema Imóveis.

Outra diferença comportamental importante, e com grande impacto no mercado imobiliário, é o perfil investidor dos millennials. Por terem crescido com maior acesso à internet, Lima explica que indivíduos desse grupo estão mais atentos aos movimentos do mercado e também são mais dispostos a conhecer diversos tipos de produtos financeiros. “Uma das principais preocupações que vejo nestes clientes [na hora de comprar um imóvel] é saber se vão conseguir vendê-lo por um preço bom no futuro”, diz.

Marcello Romero, CEO da imobiliária Bossa Nova Sotheby’s, concorda. “Hoje essas pessoas buscam serviços de consultoria e não apenas um vendedor, porque a internet empoderou muito o cliente. Então essa é uma geração que busca informações sobre o bairro, sobre locais com potencial de valorização, se há a opção de fazer um consórcio. Então são pessoas mais abertas e dispostas a entender os parâmetros para ter uma melhor tomada de decisão. Eu tenho clientes de outras gerações que são mais tradicionais: pouquíssimos têm interesse em crédito imobiliário, por exemplo. Então os millennials são muito mais abertos, e o que buscam em um vendedor é consultoria e experiência”.

Casa no Jardim Paulista, em SP, por Marcio Kogan (Foto: Valdo Silva / Divulgação)

O que a Geração Y busca em um imóvel de alto padrão?

“[O que os millennials buscam] é qualidade de vida: eles estão muito antenados em lifestyle, então buscam morar em um bairro com boa infraestrutura de comércio e restaurantes, preferem prédios com amenidades, e são muito preocupados com a experiências do usuário”, afirma Marcello. Por isso, propriedades em condomínios de alto padrão que oferecem opções de lazer e facilidades virtuais — como sistemas residenciais automatizados — saem na frente com a Geração Y.

Marco Túlio, da Esquema Imóveis, também observa um movimento dos millennials em direção a propriedades que ofereçam espaços externos — tendência que foi ainda mais acentuada com a pandemia. “Eles querem mais espaço ao ar livre, independentemente se estamos falando de apartamento ou casa. A busca por coberturas, por exemplo, também aumentou muito”, diz.

Já com relação aos interiores, o CEO acrescenta que a geração do milênio prefere lares com layouts integrados e que oferecem mais conforto para visitas, além, é claro, de um espaço para home office. “Essa é uma geração que gosta de receber. Por isso, existe cada vez mais a ênfase na área social, onde você recebe. Imóveis pouco integrados e muito compartimentalizados não agradam esse público; essa geração que gosta de integração”, afirma.

Na Bossa Nova Sotheby’s, a percepção a respeito dos interiores preferidos pela Geração Y é a mesma. Segundo Marcello Romero, existe uma até mesmo tendência de diminuição no tamanho dos quartos para ampliar a área social. “Os espaços de convívio, ou seja, os espaços sociais e de entretenimento, como home theater, ambientes gourmet com piscina e churrasqueira (em casas) e varandas gourmet (em apartamentos) são cada vez mais valorizados, pois são ambientes que proporcionam essa questão do lifestyle”, finaliza o CEO.

Fonte: Casa Vogue – Por Luiza Queiroz.

Categorias: Notícias do Setor