O índice calcula o custo tanto do material e equipamento, como serviços e mão de obra na construção civil e o reajuste é repassado ao consumidor

Estande de vendas do Parque Global, empreendimento na zona sul de São Paulo (Germano Lüders/Exame)

Quem comprou um imóvel na planta tomou um susto devido ao reajuste dos valores. Isso porque o Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC) fechou em alta de 8,5% no ano passado. Foi o maior aumento acumulado nos últimos 10 anos. A média do índice nos últimos anos era de 5%. 

O índice calcula o custo tanto do material e equipamento, como serviços e mão de obra na construção civil e o reajuste é repassado ao consumidor. O valor pesa em todas as fases da obra (construção, entrega das chaves e no montante que será financiado com o banco). 

O INCC disparou por alguns motivos. O primeiro foi reflexo da pandemia de coronavírus. No mercado, ao houve uma redução de insumos ao mesmo tempo ocorreu um aumento de novos lançamentos de imóveis, reflexo da procura do consumidor. 

Somado a isso, Rodger Campos, economista do DataZAP, explica que houve um aumento do custo do material metálico, do ferro e de outras commodities. “Estes valores são precificados em dólar. Os preços são decididos fora do país.”  

2019 x 2020

O DataZAP traçou um comparativo no preço de imóveis na planta a partir do INCC dos anos de 2019 e 2020.  Na simulação, um imóvel no valor de R$ 750 mil seria comprado na planta. O valor pago na fase de obra seria uma entrada de 150 mil parcelada em 12 meses. Outros R$ 100 mil correspondem ao valor das chaves e os R$ 500 mil restantes seriam financiados via instituição bancária.

O que fazer? 

O economista aconselha que o consumidor que teve este aumento nos valores procure a incorporadora/construtora para tentar renegociar o pagamento, para tentar diluir o valor em mais parcelas. 

Quem está pensando em comprar um imóvel na planta a orientação é buscar incorporadoras que já anunciaram o congelamento do índice (INCC). “Antes de comprar, pesquise e pergunte sobre o reajuste do índice nas parcelas.” 

Outra opção é comprar um imóvel já pronto. Para isso, o consumidor precisa de um valor maior para dar de entrada para depois financiar o restante diretamente com o banco. 

O DataZap defende que os contratos com as incorporadoras fossem mais flexíveis, para que pudessem utilizar outros índices, como Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou o Índice FipeZap. “Flexibilizar o indexador pode neutralizar os efeitos de choques externos sobre os preços dos imóveis e também uma alternativa mais próxima da realidade e das expectativas do comprador, por serem utilizadas na política monetária nacional”, ressalta o economista. 

Para efeitos de comparação, o DataZap fez  amesma simulação acima a partir do IPCA e do FipeZap. A diferença para o comprador pode chegar a uma economia de pelo menos R$ 30 mil reais.

Fonte: Revista Exame – Por: Karla Mamona

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