Companhia busca destravar valor de seu patrimônio imobiliário localizado em SP e MG

Rafael Gibini, presidente, conta que o negócio patrimonial caminha para se tornar o mais relevante da companhia —

Depois de vender a operação de papéis de higiene (tissue) para o grupo chileno CMPC, em 2009, a Companhia Melhoramentos vem avaliando novos negócios e meios de destravar valor de seu patrimônio imobiliário, estimado em alguns bilhões de reais. Com 148 milhões de metros quadrados de área bruta e diversas locações para desenvolvimento residencial, logístico, comercial e industrial em São Paulo e no sul de Minas Gerais, já colocou um pé no mercado imobiliário residencial. Agora, se prepara para estrear na área de grandes projetos logísticos.

A possibilidade de novos negócios não se limita às áreas que compõem seu patrimônio ou à localização privilegiada de parte importante do banco de terrenos – cerca de 40% da área de Caieiras (SP) pertence à empresa das famílias Weiszflog, Plöger e Velloso e, apesar de ter vendido os terrenos onde a CCR pretende construir um novo aeroporto paulista, segue com propriedades na região.

Para as três grandes operações da companhia há planos e ambições, conta o presidente Rafael Gibini, há um ano no comando da Melhoramentos. Nas áreas em que tem florestas, que fornecem madeira para a produção de fibras de alto rendimento, a presença de bacias hidrográficas pode levar a companhia a explorar pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Geração de energia fotovoltaica é outra opção, afirma o executivo.

Em fibras, pode haver novo investimento para ampliação de capacidade produtiva, uma vez que há disponibilidade de madeira. Hoje, a produção anual é de 90 mil toneladas anuais e grandes fabricantes de papel cartão, como Suzano e Klabin, são clientes da empresa. Na Editora Melhoramentos, que se consolidou como referência em obras infanto juvenis, a proposta é explorar novos nichos e promover maior integração entre conteúdo físico e digital. “Não queremos desinvestir de nenhuma operação”, garante Gibini.

Em logística, afirma o executivo, há conversas em curso com potenciais parceiros e o primeiro projeto pode ser lançado ainda neste ano. O primeiro passo é compreender qual é a melhor destinação para cada área e a Melhoramentos pretende atuar também no desenvolvimento dos projetos.

Com a nova aposta, o negócio patrimonial caminha para se tornar o mais relevante da companhia de 130 anos. No ano passado, a receita líquida consolidada alcançou R$ 100,6 milhões, com queda de 17% ante 2019 decorrente do impacto negativo da pandemia de covid-19 tanto nos negócios da editora quanto na demanda de fibras, que hoje ainda é a principal fonte de receitas. O prejuízo líquido, por sua vez, cresceu 37%, para R$ 58,3 milhões.

Para coroar a ampla reestruturação promovida nos dois últimos anos, a Melhoramentos anuncia nesta quinta-feira ao mercado seu reposicionamento estratégico, incluindo nova identidade visual e logomarca. A nova “cara” da companhia busca conectar seus negócios – editora, fibras de alto desempenho, patrimonial e Casa Melhoramentos – a partir do propósito de ter impacto positivo na sociedade. “São negócios que aparentemente não têm relação, mas se conectam via ESG”, argumenta Gibini.

O processo de reestruturação começou antes da chegada do executivo à empresa, com a escolha de um novo conselho de administração, em 2019. Mas ganhou força no ano passado, quando Gibini assumiu a gestão com a missão de redefinir a estratégia de crescimento da Melhoramentos no mercado e abrir novas frentes de negócio.

Os diferentes negócios deixaram de ter um CEO cada. Agora, a companhia tem um CEO, cinco diretorias e cerca de 500 funcionários, a maior parte na operação industrial. “A empresa se tornou mais eficiente”, diz.

Com mais de 25 anos de experiência profissional, o executivo foi sócio da consultoria de inovação Play Studio e diretor de Estratégia no grupo ZAP/Viva Real. Também teve passagens por empresas como Suzano, Deloitte Consulting e Integration Consulting.

Fonte: Por Stella Fontes — De São Paulo.