É a primeira elevação da taxa desde 2015. A decisão foi unânime

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, de 2% para 2,75% ao ano. Foi a primeira alta da Selic em quase seis anos. A decisão foi unânime.

“As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se em níveis acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”, disse o Banco Central (BC) no comunicado divulgado.

O BC comunicou que, “a menos” que haja “uma mudança significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos”, antevê “outro ajuste da mesma magnitude” na Selic. O Copom realiza a sua próxima reunião nos dias 4 e 5 de maio.

“O Copom ressalta que essa visão para a próxima reunião continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação”, informou.

A última elevação da Selic havia sido em julho de 2015, quando subiu de 13,75% para 14,25% ao ano. Desde o fim de 2017, a taxa básica de juros vinha testando mínimas históricas. A partir de agosto do ano passado, ficou estável em 2% ao ano.

“Normalização parcial” da política monetária

O Comitê informou que decidiu iniciar um processo de “normalização parcial” da política monetária, com uma alta de 0,75 ponto percentual, reduzindo o grau extraordinário do estímulo.

“Os membros do Copom consideram que o cenário atual já não prescreve um grau de estímulo extraordinário”, diz o comunicado. “O PIB encerrou 2020 com crescimento forte na margem, recuperando a maior parte da queda observada no primeiro semestre, e as expectativas de inflação passaram a se situar acima da meta no horizonte relevante de política monetária.”

O documento também diz que, “adicionalmente, houve elevação das projeções de inflação para níveis próximos ao limite superior da meta em 2021”.

Para o comitê, esses fatores tornaram adequado um movimento. “Na avaliação do Comitê, uma estratégia de ajuste mais célere do grau de estímulo tem como benefício reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos”, afirma o comunicado.

O Copom diz ainda que “o amplo conjunto de informações disponíveis para o Copom sugere que essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social”.

Riscos para emergentes

O Copom informou que questionamentos dos mercados a respeito de riscos inflacionários nas economias avançadas têm produzido uma reprecificação nos ativos financeiros, o que pode tornar o ambiente desafiador para economias emergentes.

“No cenário externo, novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos, unidos ao avanço da implementação dos programas de imunização contra a covid-19, devem promover uma recuperação mais robusta da atividade ao longo do ano”, afirma o comunicado.

“A presença de ociosidade, assim como a comunicação dos principais bancos centrais, sugere que os estímulos monetários terão longa duração.”

Inflação

O Copom informou que o cenário básico para inflação continua com “fatores de risco em ambas as direções”. No entanto, por causa do risco fiscal, também permanece a simetria altista, em que a trajetória de inflação pode ficar “acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”.

O BC, no entanto, continua considerando que os choques inflacionários “atuais são temporários”, mas disse que “segue atento” à evolução desses choques.

“A continuidade da recente elevação no preço de commodities internacionais em moeda local tem afetado a inflação corrente e causou elevação adicional das projeções para os próximos meses, especialmente através de seus efeitos sobre os preços dos combustíveis”, afirmou. “Apesar da pressão inflacionária de curto prazo se revelar mais forte e persistente que o esperado, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue atento à sua evolução.”

Sobre a atividade econômica, disse que indicadores divulgados recentemente, “em particular” o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, “continuaram indicando recuperação consistente da economia, a despeito da redução dos programas de recomposição de renda”. Mas esses números “ainda não contemplam os possíveis efeitos” da volta da pandemia.

“Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o primeiro e segundo trimestres deste ano”, afirmou.

Na visão do Copom, “as diversas medidas” de inflação subjacente, mais sensíveis à taxa de juros e à atividade, “apresentam-se em níveis acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”.

Fonte: Estevão Taiar e Alex Ribeiro

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