No primeiro semestre de 2021, região registrou 87,5% mais transações que no mesmo período do ano passado, aponta SECOVI Rio. Para garantir unidade desejada, cliente dormiu na fila

No início da pandemia, em março de 2020, a veterinária Danielle Bueno comprou seu apartamento dos sonhos, ainda na planta. A aquisição do imóvel, em Botafogo, porém, não foi assim tão fácil. Um dia antes do lançamento do edifício Spotlight, no condomínio Jardim Botafogo, Danielle montou um esquema de revezamento com o marido, o empresário Márcio Bueno. Ele dormiu no estande de vendas para ter certeza de que conseguiriam a unidade desejada. O caso não foi o único e levou o Opportunity Fundo de Investimento Imobiliário e a incorporadora Performance, responsáveis pelo empreendimento, a contratar segurança e adotar outras medidas para garantir os protocolos sanitários. A alta procura mostra que, apesar da crise, o mercado imobiliário segue muito bem.

O setor, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), pretende fechar o ano com R$ 195 bilhões em crédito imobiliário liberados, 57% a mais que o recorde de 2020, quando esse total foi de R$ 124 bilhões. De acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi Rio), este foi o melhor primeiro semestre desde 2014 no quesito vendas de imóveis. E o segundo semestre, considerado o melhor do ano, está ainda mais aquecido, com as empresas pisando no acelerador. Neste cenário positivo, a Zona Sul ganha destaque. Um levantamento do Secovi Rio aponta que a região teve 4.427 unidades negociadas de janeiro a junho deste ano, alta de 87,5% na comparação com o mesmo período de 2020 (2.361 unidades). Os dados analisados pelo sindicato têm como base o recolhimento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

Liderando a lista dos bairros mais procurados estão Copacabana, com 1.135 transações imobiliárias; Botafogo, com 625; e Leblon, com 418. Na ponta oposta aparecem Urca (31), Cosme Velho (25) e Vidigal (7).

— Cresci em um apartamento na Gávea e tinha o sonho de infância de morar em um espaço grande que me permitisse ter vários cachorros — conta Danielle. 

Fonte: O Globo