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Professor de Agronomia em RP é referência mundial no controle biológico de praga


Há décadas Alexandre de Sene, professor do Curso de Agronomia do Centro Universitário Moura Lacerda, de Ribeirão Preto (SP), vem desenvolvendo um trabalho de vanguarda sobre o controle biológico de pragas e de doenças das plantas. De acordo com ele, o sucesso e a penetração no mercado se devem, principalmente, à difusão deste conhecimento e à viabilidade econômica do programa, que chega a custar de 30% a 40% menos que o químico, para algumas pragas e culturas, e permite produtividade igual ou maior.

 

Atuando como consultor nesta área para empresas e grupos em vários continentes, Sene tem conquistado reconhecimento à frente do projeto ambiental. Ganhador de importantes prêmios mundiais de inovação e empreendedorismo, como o Technology Pioneer, do Fórum Mundial de Economia, em 2013, em Davos, na Suíça, este ano acaba de receber o Troféu Guerreiro, do Instituto Cultural Giuseppe e Anita Garibaldi, de Porto Alegre (RS).

 

Com mais de 400 publicações científicas, 22 livros e 44 capítulos,  Sene lidera um grupo de Extensão Universitária de pesquisas na área no Moura Lacerda e em parceria com outras instituições de ensino. Ele orienta, no Centro Universitário, 30 TCCs (Trabalhos de Conclusão de Cursos), 11 alunos de Iniciação Científica e 12 do Estágio Curricular por ano.

 

“Este trabalho só é possível porque tenho importante parceria com meus orientados, com a professora Marta Maria Rossi, coordenadora do Curso de Agronomia do Moura Lacerda, e com o professor José Roberto Postali Parra, pesquisador aposentado da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo), além de diversos outros pesquisadores renomados”, diz.

 

Manejo Integrado de Pragas

 

A equipe de pesquisa do Moura Lacerda se encontra focada no manejo biológico de pragas e doenças de alface, berinjela, brócolis, chuchu, jiló, rúcula e tomate, entre outros. “Estamos tendo bastante êxito nessa nova linha de trabalho. A ideia é eliminarmos os agrotóxicos dos alimentos cultivados em hortas”, ressalta. Ele explica que a prática do MIP (Manejo Integrado de Pragas) ultrapassou as fronteiras dos pequenos produtores e da agricultura orgânica e entrou, definitivamente, no mercado da lavoura convencional, sendo uma alternativa eficaz contra o excesso de agrotóxicos. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico, este mercado no mundo tem registrado índices de crescimento cinco vezes superior ao da indústria de defensivos químicos.

 

O mesmo cenário se repete no Brasil, com reais possibilidades de expansão. Segundo o Ministério da Agricultura, o país tem perto de 170 produtos biológicos registrados. Em 2010, eram apenas 21. Todo o mercado destes defensivos na América Latina representa 13%. Na Europa eles detêm 30%. Aqui há 61 biofábricas atuando na produção de soluções de controle biológico. É um cenário em franco desenvolvimento, sobretudo, em lavouras como cana-de-açúcar, soja, milho e feijão. De acordo com Sene, o mercado mundial do setor está perto de US$ 3 bilhões e deve bater nos US$ 5 bilhões em curto espaço de tempo. Na América Latina, já está em US$ 500 milhões e se aproximará dos US$ 800 milhões nos próximos anos.

 

Atualmente, uma das empresas líderes mundiais neste segmento é a holandesa Koppert que, recentemente, adquiriu a brasileira Bug Agentes Biológicos, fundada por Sene. “Acredito no senso ético e que juntos com agricultores, pesquisadores e a sociedade em geral teremos, por meio do controle biológico de pragas, uma tecnologia da ‘vida para a vida’. Assim poderemos desenvolver a economia e, ao mesmo tempo, diminuir o impacto ambiental, respeitando, primordialmente, a natureza e produzindo alimentos mais saudáveis”, analisa o professor do Centro Universitário Moura Lacerda